Pular para o conteúdo

Governo amplia regras de euro-modulares (gigaliners) na Mobilidade 2.0: 32 metros e 72 toneladas para alinhar Portugal com a Espanha

Caminhão branco sendo inspecionado por homem com colete amarelo refletivo em estrada com balança portátil.

O Governo decidiu avançar com mudanças no regime aplicável aos veículos pesados de mercadorias conhecidos como euro-modulares, ou gigaliners. Na prática, trata-se de uma espécie de supercaminhões - maiores e mais pesados do que os semirreboques - que podem gerar ganhos de eficiência nas operações.

A medida integra o plano “Mobilidade 2.0”, aprovado em Conselho de Ministros, e tem como propósito aproximar as regras dos caminhões em Portugal daquelas que já vigoram na Espanha.

O que muda no regime dos euro-modulares (gigaliners)

Com a revisão proposta, esses supercaminhões poderão circular em Portugal com dimensões superiores às atuais. O comprimento máximo dos conjuntos sobe de 25,25 metros para 32 metros.

Também haverá aumento no limite de peso autorizado para o conjunto completo. Os novos valores apontam para um peso bruto combinado de até 72 toneladas, quando hoje o teto é de 60 toneladas - uma mudança com efeito direto sobre a logística.

Um exemplo citado é o uso que a SEAT já faz, há alguns anos, em Martorell, com este tipo de configuração.

Embora esses veículos já sejam utilizados em Portugal, isso ocorre apenas em cenários muito específicos e sempre mediante autorizações, com trajetos previamente definidos. Com a atualização do regime, o Governo quer ampliar esse enquadramento, mantendo, ainda assim, exigências rigorosas de segurança.

Mais capacidade, menos viagens

Além do aumento de comprimento e de peso, as alterações também abrem a possibilidade de empregar euro-modulares no transporte de matérias perigosas, incluindo combustíveis. No entanto, essa autorização ficará restrita a rotas determinadas e previamente estabelecidas pelas autoridades competentes.

O Executivo aponta como exemplo o abastecimento do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Atualmente, segundo o Governo, a infraestrutura é atendida por 44 mil caminhões-tanque por ano, já que não existe um duto dedicado para combustíveis (querosene de aviação, gasolina e diesel). Com caminhões de maior capacidade de carga, o Governo afirma que esse volume pode ser reduzido pela metade.

Na avaliação do Governo, essa abordagem traz ganhos de eficiência econômica e ambiental, ao diminuir custos operacionais, consumo de combustível e as emissões associadas.

Alinhamento com a Espanha e regras de segurança

Para o Governo, harmonizar as regras com a Espanha é um passo essencial para remover entraves à circulação transfronteiriça desses veículos. Até aqui, as diferenças entre os dois regimes acabavam penalizando operadores portugueses em relação aos seus congêneres do país vizinho.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário