Há pouco mais de três anos publiquei um texto no meu blog sobre como eu tinha começado, havia pouco tempo, uma prática pessoal de Yoga. De lá para cá, muita coisa mudou…
É difícil acreditar no quanto eu mudei, me reorganizei e evoluí nos últimos três anos - tanto na vida profissional quanto na pessoal. E percebo esse movimento refletido de forma bem direta na minha prática pessoal de Yoga.
No começo, a minha prática pessoal de Yoga girava quase toda em torno de sequências de Vinyasa: sustentações longas e fortes para equilíbrios de braço, muitas saudações ao sol e, olhando hoje, pouca atenção real à respiração.
Para falar a verdade, a prática pessoal de Yoga é praticamente o único momento de Yoga que eu consigo ter. Em alguns dias, ela se resume a um Yoga Nidra. Em outros, faço 5 ásanas de Yin ou Restaurativo. Às vezes, canto diariamente e junto pranayama. A duração varia de apenas 15 min até, num dia bom, 60 min.
Com o tempo, essa prática ficou mais suave e mais gentil. Virou uma experiência completa de me conectar com o que o meu corpo precisa agora: aliviar incômodos e dores pequenas, me dar energia para o dia que começa ou me desacelerar antes de dormir.
Entre professores de Yoga, é comum ouvir a mesma conversa: encontrar tempo para a prática pessoal de Yoga - ou até simplesmente conseguir ir a uma aula de Yoga - é um dos maiores desafios que enfrentamos.
Parte do meu entusiasmo ao participar da recente convenção de Yoga Elysia (http://elysiayogaconvention.com), em Amorgos, foi justamente a chance de frequentar aulas e workshops de Yoga todos os dias.
Além de estar numa ilha com forte energia geomagnética, bem no meio do Mar Egeu, eu passaria uma semana inteira sendo aluna - e não professora. Uma oportunidade que eu nunca tinha tido o prazer de viver. Sem prática pessoal de Yoga, mas, em vez disso, com muitas aulas e estilos diferentes de Yoga para experimentar diariamente.
Eu já disse que eu via o Mar Egeu enquanto praticava Yoga todos os dias?
Conforme fui entrando nas aulas dia após dia, uma coisa ficou muito clara para mim: ninguém conhece este meu corpo melhor do que eu. E, para nós professores, acho que é essencial lembrar o tempo todo que cada aluno é diferente. O papel mais importante que temos deveria ser incentivar as pessoas a "se conectar" mais com elas mesmas, em vez de cairmos em posturas dogmáticas - seja no estilo de ensino, seja na filosofia.
Quando o aluno só comparece às aulas e "desliga", a gente acaba limitando o crescimento físico e pessoal dele.
Nosso papel deveria ser o de orientar, acolher e encorajar - não apenas nas aulas que eles frequentam, mas também para que desenvolvam algum tipo de prática pessoal de Yoga com regularidade.
Participar de estilos diferentes, somado ao contato com professores que se formaram e ensinaram ao redor do mundo, foi uma oportunidade de aprendizado enorme. Isso me fez perceber que, para qualquer professor crescer, é fundamental sair do próprio conforto.
Como professor, é preciso ainda mais humildade para aceitar que você nunca vai saber tudo e que, na prática, você nunca deixa de ser aluno.
Sempre que tenho tempo, eu me empurro para testar modalidades diferentes de movimento - não só no Yoga, mas em outras formas de exercício também. Pode ser que eu não curta Jivamukti ou Arkandha Yoga. E o meu corpo também não gosta da sensação de ir de uma sequência longa em pé direto para Savasana, sem um resfriamento antes.
Mas, nossa!
Toda vez eu aprendo muito com professores diferentes, independentemente do estilo, da nacionalidade, da idade ou do gênero.
Mais uma vez, um *muito obrigada** aos organizadores, professores e apresentadores da convenção de Yoga Elysia.*
Depois, esse aprendizado volta para o meu jeito de ensinar e para a minha metodologia. E também enriquece muito a minha prática pessoal de Yoga. A semana da convenção de Yoga Elysia deixou bem evidentes as minhas zonas de conforto dentro da prática pessoal de Yoga. Também trouxe à tona possíveis desequilíbrios e áreas em que eu estava mais forte ou mais flexível do que eu imaginava.
Para dar um exemplo: lá na convenção de Yoga Elysia, eu fiz uma aula introdutória de Ashtanga. Eu nem lembro quando foi a última vez que fiz uma aula pura de Ashtanga, mas lá estava eu, mandando variações de Janu Sirsana (Cabeça no joelho) e bindes que, três anos atrás, eram quase impossíveis para o meu corpo.
O grande bônus foi perceber que isso confirmou a minha intuição - que só cresce. Estou começando a entender melhor progressões e modificações. E estou desenvolvendo uma forma de ensinar em "ciclo completo", respeitando de verdade a individualidade de cada corpo único.
Sem a minha própria prática pessoal de Yoga, eu não acho que o aprendizado vivencial com os estilos de outros professores teria o mesmo impacto.
Aonde eu quero chegar com tudo isso?
Tanto alunos quanto professores: eu quero incentivar você a nutrir esse senso de aprendizado nas suas aulas regulares de Yoga, mas ainda mais dentro da sua prática pessoal de Yoga.
A seguir, algumas dicas para você começar uma prática pessoal de Yoga regular
1. Por onde começar
- Escolha um lugar na sua casa que possa virar o seu ponto fixo para curtir a sua prática pessoal de Yoga.
- Tente manter esse espaço o mais livre possível de bagunça.
- Você precisa de bem pouco: só o suficiente para desenrolar o tapete.
2. Pare de arrumar desculpas e, de forma simples, suba no seu tapete
- A prática pessoal de Yoga pode ser qualquer coisa a partir de 15 min.
- Quando você tira da cabeça a ideia de se comprometer demais com o tempo, na prática não sobra desculpa.
3. O seu corpo vai lembrar
- Muita gente fica insegura no início por achar que não vai saber o que fazer. Quer seguir um vídeo no YouTube ou uma lista de sequências. Não há problema nenhum em começar assim, mas eu garanto: quanto mais você "se conectar", mais vai se surpreender com o quanto o seu corpo se lembra.
4. Leve um pouco mais de consciência para as aulas que você já faz
- Nas suas aulas regulares, comece a observar melhor a sequência, o aquecimento, o resfriamento e, principalmente, os ásanas de que você mais gosta.
- São os ásanas que o seu corpo realmente curte que vão fazer você voltar para o tapete e praticar sozinho.
5. Suyra Namaskar (Saudações ao Sol)
- O motivo de eu repetir as saudações ao sol em todas as aulas como parte do aquecimento é para que você memorize essa combinação como uma base sobre a qual dá para construir camadas de sequência.
- Mesmo que, por 10-15 min, você só repita o seu Suyra Namaskar, você já estará no caminho de construir a sua prática pessoal de Yoga.
Minha sugestão…
Nas próximas semanas, vou publicar algumas sequências de nível iniciante para você montar uma base para a sua prática pessoal de Yoga.
Nesta semana, veja se você consegue seguir os passos acima para começar a sua prática pessoal de Yoga: 1. Defina uma área na sua casa ou no seu jardim para praticar sozinho 2. Comece com 10-15 min; não fique preso ao relógio: apenas vá para o seu tapete! 3. Experimente padrões de movimento que o seu corpo já conhece 4. Preste atenção na aula! Escolha os seus 3 ásanas favoritos 5. Inclua o seu Suyra Namaskar
Acima de tudo, divirta-se com a sua prática pessoal de Yoga
Continue acompanhando meu site para mais publicações no blog sobre como desenvolver uma prática pessoal de Yoga regular.
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