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Stellantis após a saída de Carlos Tavares: medidas na Europa, ACEA e Itália

Homem de terno e homem com colete refletivo apertando as mãos em fábrica de automóveis com robôs industriais.

Em 1º de dezembro, Carlos Tavares, então diretor executivo da Stellantis, pediu demissão com efeito imediato. Duas semanas depois, o grupo já havia colocado em prática e anunciado novas medidas com o objetivo de dar fôlego às operações na Europa.

Contexto: saída de Carlos Tavares e desempenho da Stellantis na Europa

Recentemente, Jean-Philippe Imparato, CEO da Stellantis na Europa, se reuniu com os quatro maiores concessionários europeus do grupo para alinhar metas de vendas para 2025. O ano tem sido especialmente difícil: entre janeiro e outubro, a Stellantis registrou queda de 7,1% nas vendas, somando 1 700 846 unidades comercializadas na Europa, segundo números da ACEA.

Esse recuo nas entregas pode ter ajudado a deteriorar a relação entre Tavares e os acionistas - fator que, de acordo com Henri de Castries, diretor independente da Stellantis, esteve entre os principais motivos que levaram à renúncia.

O que já foi feito?

Entre os primeiros movimentos da “nova” Stellantis está a sinalização de que pretende voltar à Associação Europeia de Construtores de Automóveis (ACEA), após ter deixado a entidade em 2022.

Vale lembrar que, pouco antes da saída de Tavares, o executivo havia adotado um tom crítico em relação ao posicionamento do lobby automotivo. Ele se mostrou contra algumas propostas defendidas pela ACEA, como adiar as metas de redução das emissões de CO2 (dióxido de carbono) previstas para 2025.

Além disso, Imparato confirmou mudanças de comando nos dois maiores mercados do grupo. Xavier Duchemin passa a liderar as operações na França, enquanto Florian Huettl - que também é CEO da Opel - ficará à frente do mercado alemão.

Fim das tensões com a Itália?

A convivência entre a Stellantis e o governo italiano vem alternando fases de atrito. Um caso emblemático foi a proibição de a Alfa Romeo usar o nome “Milano” em um de seus modelos, o que forçou a troca para “Junior”.

Somaram-se a isso os planos de transferir a produção de alguns projetos de carros italianos para outros locais e a paralisação da planta de Mirafiori, em Turim, onde é fabricado o Fiat 500 elétrico - pontos que aumentaram a pressão sobre a relação com o Executivo italiano.

Ainda assim, em entrevista concedida em 9 de dezembro, Jean-Philippe Imparato adotou um discurso mais confiante. Segundo ele, a Itália pode se tornar o segundo maior produtor de automóveis da Europa nos próximos cinco anos. No ano passado, o país ocupou a sétima posição entre os produtores europeus.

“Nós não vamos desistir de Mirafiori e não vamos desistir de Turim. A Stellantis não vai abandonar a Itália, disso podem ter a certeza.”

Jean-Philippe Imparato, diretor executivo europeu da Stellantis

Mirafiori, Fiat 500 e a produção até 2025

Imparato reforçou o compromisso de não fechar fábricas na Itália e adiantou planos para lançar uma versão híbrida do Fiat 500 até o fim de 2025, buscando elevar as vendas do modelo.

Apesar disso, de acordo com o sindicato FIOM-Cgil, a Stellantis deve prolongar por mais duas semanas a interrupção da produção na fábrica de Mirafiori, em Turim, na Itália, estendendo a parada até 20 de janeiro. O grupo já havia informado no fim de novembro que a linha seguiria sem operar até, pelo menos, 5 de janeiro.

Fonte: Automotive News Europe

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