Em 1968, Salvador Fernandes Caetano, fundador da Salvador Caetano – Indústrias Metalúrgicas e Veículos de Transporte SARL, já era o maior fabricante de carrocerias de ônibus de Portugal.
Esse caminho começou cedo: ele entrou na atividade com apenas 20 anos e, em menos de uma década, chegou ao topo do setor no país.
Antes disso, em 1955, foi a Salvador Caetano I.M.V.T que levou a Portugal a técnica de construir carrocerias totalmente em metal - saindo na frente de toda a concorrência, que ainda usava a madeira como principal matéria-prima. Ainda assim, para alguém de origem humilde, que começou a trabalhar aos 11 anos na construção civil, a indústria de carrocerias não bastava.
A sua “missão de empresário” exigia um passo além.
O porte industrial e o prestígio que a Salvador Caetano havia conquistado, o número de funcionários e a responsabilidade que isso trazia, ocupavam a mente do fundador “dia e noite”. Salvador Fernandes Caetano não queria que a sazonalidade e o nível de concorrência do mercado de carrocerias colocassem em risco o crescimento da empresa - e, sobretudo, o futuro das famílias que dependiam dela. Foi nesse contexto que entrar no setor automotivo passou a ser uma alternativa concreta para diversificar as atividades.
A entrada da Toyota em Portugal (Salvador Caetano e Toyota)
Em 1968, a Toyota - assim como as demais marcas japonesas - era praticamente desconhecida na Europa. Em Portugal, o mercado era dominado por fabricantes italianos e alemães, e a percepção geral era bastante pessimista quanto ao futuro das marcas japonesas.
Salvador Fernandes Caetano via a situação de outra forma. Como a empresa Baptista Russo - com quem mantinha uma relação excelente - não podia acumular a importação de modelos Toyota com outras marcas (BMW e MAN), a Salvador Caetano avançou (com o apoio da Baptista Russo) para tentar obter o contrato de importação da Toyota para Portugal.
A resposta do mercado veio rápido: as primeiras 75 unidades do Toyota Corolla (KE10) importadas para Portugal foram vendidas em pouco tempo. E, apenas um ano depois, o otimismo sobre o futuro da marca ficou explícito na primeira campanha publicitária no país, com o slogan: “Toyota veio para ficar!”.
A Toyota, Portugal e a Europa
Somente 5 anos após o início da comercialização da Toyota em território português, em 22 de março de 1971, foi inaugurada em Ovar a primeira fábrica da marca japonesa na Europa. Nessa fase, o slogan “Toyota veio para ficar!” ganhou uma versão atualizada: “A Toyota veio para ficar e ficou mesmo…”.
A abertura da fábrica de Ovar representou um momento histórico para a Toyota, tanto em Portugal quanto na Europa. A marca, até então pouco conhecida no continente, estava entre as que mais cresciam no mundo - e Portugal teve um papel decisivo no sucesso da Toyota no «velho continente».
É importante lembrar que esse avanço não aconteceu sem dificuldades. A instalação da fábrica da Toyota em Ovar foi, na prática, uma vitória da persistência de Salvador Fernandes Caetano diante de uma das leis mais polêmicas do Estado Novo: a Lei do Condicionamento Industrial.
Essa lei regulava as licenças industriais em áreas consideradas vitais para a economia portuguesa. Na prática, funcionava como um mecanismo para restringir a entrada de novas empresas, assegurando por via administrativa o controle do mercado por companhias já estabelecidas - prejudicando a concorrência e a competitividade do país.
Foi justamente essa legislação que se tornou o maior entrave aos planos de Salvador Fernandes Caetano para a Toyota em Portugal. Na época, a Salvador Caetano enfrentava a oposição do diretor-geral da Indústria do Estado Novo, o Engenheiro Torres Campo. Apenas depois de reuniões longas e difíceis o então Secretário de Estado da Indústria, o Engenheiro Rogério Martins, cedeu diante da insistência e da dimensão das ambições de Salvador Fernandes Caetano para a Toyota em Portugal.
Desde então, a fábrica da Toyota em Ovar segue operando até hoje. O modelo produzido por mais tempo nessa unidade foi a Dyna, que, junto com a Hilux, fortaleceu em Portugal a imagem de robustez e confiabilidade da marca.
A Toyota em Portugal hoje
Uma das frases mais conhecidas de Salvador Fernandes Caetano é:
“Hoje como ontem, a nossa vocação continua a ser o Futuro.”
Segundo a própria marca, esse espírito continua claramente presente na atuação em Portugal.
Entre outros marcos da história da Toyota em Portugal, destaca-se a chegada ao mercado nacional, em 2000, do primeiro híbrido de produção em série do mundo: o Toyota Prius.
Em 2007, a Toyota voltou a atuar como pioneira ao lançar o Prius com recarga externa, o Prius Plug-In (PHV).
Outro passo relevante na evolução dos veículos eletrificados foi o lançamento do Toyota Mirai - o primeiro sedã com célula a combustível produzido em série no mundo, que rodou pela primeira vez em Portugal em 2017, durante as comemorações dos 20 anos da tecnologia híbrida.
No total, a Toyota já vendeu mais de 11,47 milhões de veículos eletrificados no mundo. Em Portugal, a Toyota já comercializou mais de 618.000 automóveis e atualmente conta com uma gama de 16 modelos, dos quais 8 oferecem a tecnologia “Full Hybrid”.
Em 2017, a Toyota fechou o ano com uma participação de mercado de 3,9%, equivalente a 10.397 unidades, registrando um aumento de 5,4% em comparação com o ano anterior. Ao reforçar sua liderança na eletrificação automotiva, a marca alcançou em Portugal um crescimento expressivo nas vendas de veículos híbridos (3.797 unidades), com avanço de 74,5% em relação a 2016 (2.176 unidades).
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