O Salão de Munique, o IAA Mobility 2025, está acontecendo em mais uma edição. A lista de marcas presentes e o volume do que estava anunciado para estes dias - com muitas novidades relevantes reveladas - chegou a dar, por alguns instantes, a sensação de que os grandes salões do passado tinham voltado. Mas não foi bem assim.
Eu ainda lembro da época em que a gente aguardava cada salão automotivo com ansiedade, antes da internet transformar tudo em notícia espalhada pelo mundo muito antes de os portões abrirem.
Naquele tempo, existiam, de fato, surpresas que só apareciam no primeiro dia do evento - ou então na véspera, reservada para a imprensa. E essas estreias ficavam lá, expostas durante toda a programação, para o público ver com calma.
Não é segredo que os salões automotivos já não são o que eram. E, depois da pandemia, a “magia” desses eventos quase sumiu. Primeiro porque as marcas deixaram de investir nesse tipo de encontro como investiam antes. Depois porque o público, em geral, já não precisa ir a um pavilhão para conhecer as principais novidades sobre quatro rodas.
Também houve uma migração para outros formatos de evento capazes de atrair muito mais gente - como o Goodwood Festival of Speed ou mesmo as 24 Horas de Le Mans, por exemplo.
Ainda assim, a expectativa em torno deste IAA Mobility 2025 começou a me fazer pensar que eu voltaria a presenciar um dos salões automotivos mais importantes. Só que, na prática, não foi isso que aconteceu.
O que rolou em torno do Salão de Munique (IAA Mobility 2025)
Em Munique, nos dias anteriores ao evento, várias marcas aproveitaram o fato de muitos jornalistas do mundo todo estarem na região e organizaram apresentações paralelas. O Grupo Volkswagen promoveu o seu encontro habitual, reunindo as principais novidades e os modelos mais recentes do conglomerado. E, sim, também apareceram protótipos de lançamentos futuros, como o Volkswagen ID.Polo e o CUPRA Raval.
Não muito longe de Munique, a Renault apresentou a sexta geração do Clio, com a presença de Laurens van den Acker (responsável pelo design), das equipes de produto e também de Fabrice Cambolive, o primeiro Chief Growth Officer - diretor-executivo de crescimento - do grupo francês, função que ele acumula com a de diretor-executivo da marca Renault.
Outra diferença importante: o IAA Mobility em Munique não gira apenas em torno dos pavilhões do Messe München - algo como uma versão da FIL de Lisboa, só que em outra escala. Muitos dos espaços erguidos pelas marcas para mostrar as novidades nestes dias estavam, na verdade, no centro histórico da cidade alemã.
A CUPRA, por exemplo, montou uma megaestrutura de visual impressionante. Lá dentro, estava a linha atual da marca e o novo protótipo Tindaya, em estreia mundial.
Um pouco mais adiante, a área da Mercedes-Benz era ainda maior e misturava passado e futuro. Ali, além de um 280 SE 3.5 Coupé do fim dos anos 1960 - com motor V8 e uma grade dianteira que se tornaria icônica -, também aparecia o novo protótipo AMG GT XX, com mais de 1300 cavalos, recém-chegado de Nardò, onde quebrou alguns recordes de velocidade. Mesmo assim, o grande destaque era o novo GLC 100% elétrico.
E o salão, afinal?
Ao longo da Odeonsplatz, a maior parte das marcas exibia suas principais novidades, cercadas pelos demais modelos da gama. Algumas eram estreias absolutas; outras, carros já bastante conhecidos. E, com tudo isso acontecendo ao ar livre e com tanta gente que mal dava para enxergar os veículos, a pergunta era inevitável: como estaria o “Salão” em si? Para saber, só indo até lá.
Como o Salão de Mobilidade não oferecia um serviço de transfer, os apps de transporte em Munique viraram a alternativa - e eu admito que fui com a expectativa lá em cima. Um salão automotivo “à moda antiga”… que saudade.
Com a credencial de imprensa já feita previamente, foi só passar pelo controle de entrada e, cinco segundos depois, eu já estava com o crachá pendurado no pescoço. No primeiro pavilhão, o destaque ficava por conta do espaço do Grupo Volkswagen.
Só que, ao entrar, as marcas do grupo não apareciam logo de cara: estavam mais ao fundo. Antes mesmo de chegar à Volkswagen, precisei atravessar a área da XPeng, que exibiu o seu novo e ousado P7, que deve chegar em breve à Europa.
De relance, deu para notar que o Volkswagen ID.Every1 - que será produzido em Palmela - era um dos destaques do grupo alemão, e que no interior também estava o mais recente ID.Cross Concept, que eu já tinha visto pela cidade.
Outra novidade era a enorme picape elétrica da Scout, voltada ao mercado norte-americano e posicionada para bater de frente com marcas como a Rivian, por exemplo. Mas a pergunta que não saía da cabeça era: onde estavam todas as outras estreias? Foi aí que a frustração começou.
IAA Summit, não um salão
Com exceção das principais marcas “da casa” (alemãs) e de várias chinesas, praticamente não havia mais nada.
E, mesmo entre as marcas que tinham mostrado coisas importantes no dia anterior - algumas ainda na forma de protótipos camuflados, como o Volkswagen ID.Polo e o CUPRA Raval -, esses modelos já tinham sido retirados do espaço, restando apenas carros que todo mundo já conhecia.
A BMW chamava atenção pelo novo iX3, a Mercedes-Benz pelo GLC elétrico e a Audi pelo Q3 Sportback e-hybrid. A Opel levou o novo protótipo Corsa GSE Vision Gran Turismo, que a gente vai poder dirigir no jogo de mesmo nome - e, basicamente, era isso que dava para ver no IAA Mobility de Munique.
No total, os cinco pavilhões e meio estavam muito mais tomados por empresas de tecnologia, startups e outras companhias prontas para apresentar suas soluções. Havia palcos para conferências, áreas enormes para alimentação, espaços de trabalho com sofás confortáveis - e pouco além disso.
O IAA Mobility, afinal, não é um salão de automóveis e sim um salão do setor automotivo. É muita tecnologia, muita proposta para o futuro. Carros novos, nem tanto - principalmente para o público em geral, já que muitas das novidades já tinham sumido.
No fim, a “festa” de verdade estava mesmo no centro da cidade. O salão, propriamente dito, para mim, foi uma decepção que tinha pouco ou nada a ver com a celebração dos salões automotivos de antigamente. Nem de longe.
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