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Henrik Fisker e a estratégia da Fisker para o Ocean na Europa

Carro elétrico azul modelo SUV em showroom moderno com janelas panorâmicas e vista cityscape ao fundo.

Inconformado. Talvez não exista palavra mais adequada para descrever Henrik Fisker, um dos designers de automóveis mais reconhecidos do mundo.

No currículo, ele soma projetos como o BMW Z8, a primeira geração do BMW X5 e alguns dos Aston Martin mais bonitos de todos os tempos. Com um histórico desses, seria natural imaginar que ele estivesse plenamente satisfeito com o que já deixou para a indústria - mas não é assim.

De origem dinamarquesa, Fisker quer provocar o setor automotivo com uma mudança que ele próprio classificou como “inevitável” em entrevista à Razão Automóvel.

Conversamos com o executivo durante o lançamento do Fisker Ocean na Europa. Na ocasião, ele detalhou o caminho que a marca pretende seguir nos próximos anos.

Henrik Fisker. Segunda tentativa

Não é a primeira investida de Henrik Fisker para «desafiar a indústria automóvel». Em 2007, ele criou a Fisker Automotive, mas o plano não se concretizou como esperado. O único carro que efetivamente chegou ao mercado foi o Fisker Karma.

Diferendos com a administração ditaram o seu afastamento do projeto e posteriormente a falência da marca.

Agora, ele volta ao jogo com a Fisker Inc., uma fabricante totalmente nova - porém guiada pelo mesmo objetivo: promover uma virada no setor e acelerar a eletrificação da indústria automotiva.

“Precisamos de meter as pessoas a andar de carro elétrico, o setor precisa desta transformação. Não é só uma questão ambiental, é também uma questão de saúde pública”, disse Henrik Fisker. Até aqui, nada muito fora do esperado.

A ruptura, segundo ele, aparece sobretudo no modo como a Fisker pretende produzir e vender seus carros.

Estratégia da Apple aplicada aos automóveis

“Sim, podem olhar para Fisker como a «Apple dos automóveis»”, respondeu o executivo, ao explicar como a empresa quer se posicionar do ponto de vista industrial e comercial.

“Tal como a Apple, nós também não fabricamos os nossos próprios produtos. Desenhamos, desenvolvemos e comercializamos, mas não fabricamos. Entregámos essa missão a Magna Steyr e à sua fabrica na Áustria, onde são produzidos automóveis para outras marcas europeias”, entre elas a Mercedes-Benz, BMW e Jaguar, explicou.

De acordo com Henrik Fisker, essa escolha se sustenta em dois pilares: diminuir o investimento necessário e assegurar qualidade.

“Construir uma fábrica de raiz é um investimento massivo. Faz sentido alocar recursos na construção de uma fábrica quando já temos essa capacidade instalada e a podemos contratar? Creio que não. Não é racional, mesmo do ponto de vista ambiental. Além disso, podemos aproveitar o know-how dos nossos parceiros para oferecer um produto de qualidade”, afirmou o CEO da Fisker.

A importância do preço

Além desses dois pilares, existe um terceiro ponto central no plano de Henrik Fisker: preço. “Ao reduzirmos apenas ao essencial a nossa estrutura de custos a nível industrial, podemos refletir nos nossos clientes esses ganhos através de preços mais competitivos”.

Ele usa o primeiro produto da marca como exemplo, o Fisker Ocean. “O nosso SUV terá um valor base de 41 000 euros na Europa. É um valor muito competitivo olhando às especificações técnicas, equipamento e design proposto pelo nosso produto”, explicou.

Ainda assim, a busca por eficiência máxima na Fisker não se restringe à fabricação.

Na área comercial e no pós-venda, a proposta da marca norte-americana também foge do padrão: “Queremos que as vendas dos nossos modelos aconteçam sobretudo online e de forma direta. Não queremos estar reféns de importadores ou concessionários, que nos aumentam os custos da operação”.

“Vamos ter lojas nas principais cidades europeias onde os nossos clientes podem experimentar e ver os nossos produtos, mas queremos sobretudo uma experiência online. É o futuro, alias é o presente. O COVID-19 só veio acelerar esta transformação”, concluiu.

Quanto à assistência pós-venda e aos reparos, a Fisker diz estar montando uma rede europeia de oficinas para atender seus veículos: “estamos a falar com redes de oficinas conceituadas em todos os mercados. O objetivo é que os nossos modelos tenham uma cobertura territorial homogénea em termos de reparação. Além disso, vamos ter equipas de assistência que se deslocam ao local para diagnóstico e reparação dos nossos modelos”, disse Henrik Fisker.

“É o somatório destas decisões que nos faz acreditar que o Fisker Ocean é o elétrico mais sustentável do mundo”, afirma o fundador.

O desenvolvimento da Fisker

Como dá para perceber, a Fisker organiza sua estratégia com forte foco no desenvolvimento do produto.

Para Henrik Fisker, concentrar recursos também encurta prazos: “estamos a mostrar à indústria que não são necessários quatro anos para desenvolver um novo modelo. O novo Fisker Ocean demorou dois anos e meio a ser projetado, e só escolhemos a tecnologia para o seu interior há oito meses. Isto permite-nos lançar modelos mais atuais que os nossos concorrentes”.

Na visão dele, dois anos e meio é praticamente o limite mínimo para criar um automóvel. “Não podemos esquecer os períodos de testes e homologação. Nesses não há muito mais que possamos fazer”.

Até 2025, a Fisker quer ter quatro modelos 100% elétricos à venda. O Fisker Ocean abre essa linha e, depois, virá um modelo urbano. “Vamos mostrar que é possível fazer um 100% elétrico com estilo e acessível”, afirma Henrik Fisker.

Será desta que a Fisker vence?

O fundador diz que aprendeu bastante com “os erros do passado”. Até agora, o Fisker Ocean já soma mais de 30 000 encomendas.

Os planos são ousados, mas o primeiro obstáculo ainda precisa ser vencido: colocar a produção de pé.

O Fisker Ocean começará a ser fabricado na Áustria, na unidade da Magna Stery, no segundo semestre de 2022. Ainda este ano, as primeiras unidades serão vendidas na Europa nos principais mercados.

A entrada em mercados secundários - como é o caso do mercado português - só deve ocorrer em 2023. A expectativa da marca norte-americana é que, também no nosso país, os preços fiquem em torno dos 41 000 euros na versão de entrada do Fisker Ocean.


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