6 de fevereiro de 2026 - 14:07
Foto/Crédito: A. Krivonosov
Os principais fabricantes globais de automóveis contabilizaram cerca de US$ 55 bilhões em baixas após reverem as suas estratégias de EV.
US$ 55 bilhões em baixas após corte de planos de EV
Ao longo do último ano, a indústria automóvel mundial registou aproximadamente US$ 55 bilhões em baixas ligadas à redução de ambições com veículos elétricos. Entre os motivos apontados estão o arrefecimento da procura nos Estados Unidos, a guerra de preços na China e uma maior complexidade na composição das gamas na Europa.
Stellantis concentra a maior correção e derruba as ações
O caso mais expressivo foi o da Stellantis, que em 6 de fevereiro anunciou baixas de cerca de 22,2 bilhões de euros no segundo semestre de 2025. O ajuste foi o mais volumoso entre os grandes grupos do setor e levou as ações a caírem mais de 20%, atingindo o nível mais baixo em seis anos.
O CEO Antonio Filosa atribuiu o movimento ao “o preço de reavaliar o ritmo da transição energética”, destacando a necessidade de adequar o portfólio de produtos à procura real e às exigências de emissões nos EUA.
Ford, General Motors e Volkswagen também recuam nas apostas elétricas
Outras marcas seguiram uma linha semelhante. A Ford, em dezembro, comunicou baixas de US$ 19,5 bilhões e a desistência de determinados modelos elétricos, priorizando veículos com motor a combustão interna (ICE) e híbridos.
Já a General Motors, em janeiro, informou ajustes de US$ 6 bilhões, incluindo US$ 4,2 bilhões em desembolsos de caixa associados à rescisão de contratos e a acertos com fornecedores.
Na Europa, a Volkswagen - maior fabricante do continente - registou em setembro do ano passado um impacto de 5,1 bilhões de euros na divisão Porsche, adiando a chegada de parte dos elétricos para dar lugar a híbridos e modelos com motores tradicionais.
Pressões de China, regulações e política complicam a transição para EV
Para os grupos tradicionais, o desafio comum tem sido a pressão de novos concorrentes, sobretudo vindos da China, além da mudança no ambiente regulatório e político. Nos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, o mercado de elétricos enfrentou uma desaceleração acentuada; enquanto isso, na Europa, as fabricantes precisam equilibrar EV, híbridos e veículos com ICE.
Esse cenário levou a uma revisão ampla de expectativas, refletida de forma clara nos resultados financeiros, e reforçou que a migração para veículos elétricos se revelou mais difícil e mais cara do que se estimava anteriormente.
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