A União Europeia colocou Elon Musk contra a parede, e a rede social X deve em breve reformular, no continente europeu, o seu sistema de certificação dos badges azuis.
Como o badge azul funcionava no Twitter
Desde os primeiros anos do Twitter, a pequena marca azul servia para distinguir figuras públicas e perfis de interesse notório - políticos, celebridades, jornalistas, personalidades da mídia, influenciadores e similares. Não era obrigatório ser famoso para obtê-la: a função principal era apenas confirmar a identidade do titular, sem outros benefícios.
Tudo mudou após a compra do Twitter por Elon Musk, em 2022. A partir daí, a verificação passou a estar atrelada a um plano pago de 11 euros por mês. Na prática, qualquer pessoa pode assinar e exibir o badge, e é exatamente aí que o modelo começou a ser visto como um problema.
X na mira da União Europeia
Quem entrou em cena foi a Comissão Europeia. Para a UE, colocar o badge azul atrás de um paywall pode dar aparência de credibilidade a contas anônimas capazes de publicar desinformação e induzir usuários ao erro. Além disso, o sistema também facilita casos de falsificação de identidade.
O X até mantém alternativas, como badges cinza e dourado (voltados a políticos e empresas), mas isso não resolve por completo - sobretudo porque os badges azuis chamam mais atenção na interface do que os demais.
Ao avaliar o caso, a Comissão Europeia concluiu que o modelo configura violação do Digital Service Act (DSA), regulamento criado para proteger cidadãos da UE contra diferentes formas de manipulação. O órgão também acusa o X de não manter atualizada a sua lista de anunciantes, o que permite que anúncios fiquem “misturados” a publicações comuns. Em períodos eleitorais, isso se torna especialmente sensível.
Multa de 120 milhões de euros e recuo do X
Diante desse cenário, a União Europeia aplicou ao X uma multa de 120 milhões de euros. O valor é descrito como mais simbólico do que propriamente punitivo, mas foi suficiente para aumentar a fricção entre Bruxelas e Washington - tensão que, segundo o texto, chegou a contribuir para a proibição de Thierry Breton em território americano.
De acordo com a Bloomberg, para evitar o pagamento, o X (antigo Twitter) teria concordado em ajustar o seu sistema de certificação no “velho continente”. Com isso, usuários europeus devem passar a contar com um novo mecanismo para os badges azuis, o que tende a tornar mais claro quais contas são, de fato, verificadas.
O que pode mudar no novo sistema de verificação do X
Resta entender qual proposta o X colocará de pé.
- Haverá um retorno ao modelo anterior de certificação?
- Como ficará a sinalização de usuários fora da União Europeia?
- O serviço vai acabar criando dois X paralelos - um com badge azul pago e outro sem essa exigência?
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