O bebê Cassian virou um fenómeno na internet. Ele nasceu no início deste ano, nos Estados Unidos, com 5,8 kg (12,8 libras).
Depois que a mãe e o hospital divulgaram a informação recentemente, não demorou para que manchetes sobre o bebé “gigante” circulassem pelo mundo. Entre elas, apareceram títulos como:
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Embora o Cassian tenha chegado ao mundo acima do peso médio, ele não é um caso único. Outras notícias já chamaram atenção para bebés que nascem maiores - como a de um menino nascido no Brasil, em 2023, com 7,3 kg.
Histórias assim podem fazer mulheres, em vários países, cruzarem as pernas só de imaginar. Mas afinal, com que frequência nascem bebés grandes? E o nascimento deles necessariamente traz complicações?
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O que são bebés grandes?
O termo macrossomia é usado para descrever bebés que nascem com mais de 4 kg ou 4,5 kg, a depender do critério adoptado.
Outra forma de definir um bebé grande é considerar o peso ao nascer acima do percentil 90 para uma determinada idade gestacional. Isto significa que, naquele ponto específico da gestação, mais de 90% dos bebés têm peso inferior.
Por isso, a expressão “grande para a idade gestacional” tende a ser mais precisa, já que combina o número de semanas de gravidez com o peso.
Na Austrália, a percentagem de bebés grandes mudou pouco na última década. Apesar de esses casos ganharem destaque na imprensa, a proporção mantém-se em torno de 9–10% dos nascimentos.
Quais são os problemas para bebés grandes e para as mães?
Não conhecemos as circunstâncias exactas do nascimento do Cassian, nem o estado de saúde dele ou da mãe. Também não dá para afirmar se, neste caso, se aplicam as razões mais comuns associadas a bebés maiores.
No entanto, de forma geral, quando o bebé é grande - sobretudo acima de 4,5 kg - pode haver mais complicações no parto tanto para a mãe quanto para o recém-nascido. Ainda assim, isto não acontece sempre.
À medida que o peso do bebé aumenta, cresce a probabilidade de serem necessárias intervenções durante o parto, como fórceps, vácuo-extracção ou cesariana. Esses procedimentos podem influenciar a recuperação da mulher no pós-parto e também as opções para uma gravidez e um parto futuros.
Para o bebé, há maior risco de os ombros ficarem presos no canal de parto durante o nascimento (situação conhecida como distócia de ombro).
Nesses casos, parteiras e obstetras podem precisar de realizar manobras adicionais para garantir um parto seguro. Por exemplo, pode ser necessário tentar desprender um dos ombros se ele ficar preso atrás do osso púbico da mãe.
Essas manobras podem causar lesões no bebé ou levar a restrição de oxigénio, exigindo reanimação. Ainda assim, estas complicações são raras e podem ocorrer quando não se esperava que o bebé fosse grande.
O que leva ao nascimento de um bebé grande?
Na maioria das vezes, bebés grandes são bebés saudáveis - e existem vários motivos possíveis para isso.
A genética tem um papel importante: em algumas famílias, os bebés costumam ser maiores.
Além disso, quando a gestação passa da data prevista, os bebés tendem a nascer um pouco mais pesados, pois têm mais tempo para crescer dentro do útero.
A presença de diabetes - especialmente se estiver mal controlada - também pode resultar em bebés maiores. Isto ocorre porque o nível elevado de açúcar no sangue da mãe faz com que o bebé receba mais energia do que precisa, armazenando o excesso sob a forma de gordura.
Bebés de mães diagnosticadas pela primeira vez com diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional) apresentam maior risco de obesidade e de desenvolver diabetes no futuro.
Mulheres com maior peso antes da gestação, ou que ganham mais peso durante a gravidez, também podem ter maior probabilidade de dar à luz um bebé grande. Em grande parte, isso relaciona-se ao risco aumentado de diabetes na gestação e, possivelmente, a escolhas alimentares menos adequadas.
É possível prever um bebé grande?
As estimativas do peso do bebé antes do nascimento não são precisas. Por isso, muitas mulheres ouvem que terão um bebé grande e não têm - enquanto outras se surpreendem com o tamanho do bebé quando ele nasce.
Durante o pré-natal, parteiras e obstetras avaliam o crescimento do útero ao palpar o abdómen. Observa-se a posição do bebé no útero e onde o topo do útero se encontra em relação ao umbigo da mulher. Isto ajuda a indicar se o crescimento está dentro do esperado para aquela fase.
Também é comum medir, com uma fita métrica, a distância entre a parte superior da barriga e o topo do osso púbico. Em geral, o número de semanas de gestação corresponde à medida, com variação de cerca de alguns centímetros.
Por exemplo, com 36 semanas de gestação, a medida costuma ficar entre 34 cm e 38 cm. Se a diferença entre a medida e o número de semanas for maior ou menor do que 3 cm, é oferecido um ultrassom para avaliar o crescimento do bebé e estimar o tamanho.
Mesmo assim, o ultrassom não é um bom preditor do peso real ao nascer. O Estudo Big Baby, publicado no início deste ano, distribuiu aleatoriamente quase 3.000 mulheres no Reino Unido em dois grupos: indução do parto com 39 semanas quando havia suspeita de bebé grande (com base no ultrassom) ou esperar o trabalho de parto iniciar espontaneamente.
Houve pouca diferença no peso ao nascer e em desfechos desfavoráveis, como a distócia de ombro, o que levou à interrupção precoce do estudo. Cerca de 60% dos bebés classificados como grandes na triagem não eram, de facto, grandes ao nascer - o que evidencia a imprecisão do ultrassom para prever o peso de nascimento.
O que as mulheres podem fazer?
A orientação de saúde mais importante é tentar iniciar a gravidez com um peso considerado saudável (IMC abaixo de 30).
Procure manter uma alimentação equilibrada e reduzir o consumo de alimentos e bebidas ricos em gorduras saturadas e açúcar. Durante a gestação, evite ganhar peso em excesso e pratique actividade física regularmente. Converse com a sua parteira ou obstetra para receber orientações e apoio.
Se você tem diabetes, ou se o diagnóstico foi feito durante a gravidez, é essencial acompanhar de perto a glicemia e o crescimento do bebé.
Hannah Dahlen, Professora de Obstetrícia, Vice-Decana Associada de Pesquisa e HDR, Líder da Área de Obstetrícia, Western Sydney University
Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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