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Campeonato Mundial de Fórmula 1 completa 80 anos

Carro de Fórmula 1 modelo 2026 branco exibido em sala com pessoas ao fundo.

Em 2026, o Campeonato Mundial de Fórmula 1 chega aos 80 anos, depois de ter sido instituído em 1946 pela recém-criada Federação Internacional do Automóvel (FIA). Superada a primeira leva de temporadas ainda em formação, não demorou para que Juan Manuel Fangio se destacasse, colocando seu talento, no início dos anos 1950, a serviço da Alfa Romeo.

Oito décadas depois, quase nada aproxima aquelas disputas de pioneiros destemidos - que corriam desafiando a própria mortalidade - dos carros atuais, extremamente sofisticados e muito mais seguros (o último acidente fatal ocorreu há 32 anos, quando Ayrton Senna morreu na curva Tamburello, no GP de Ímola). Em comum, essencialmente, permanece o básico: quatro rodas, volante e um único lugar, reservado ao piloto.

Apesar de fases melhores e piores ao longo de todo esse percurso, a F1 segue como o principal símbolo do automobilismo no mundo e talvez esteja mais global do que nunca. Hoje há um equilíbrio maior na distribuição geográfica do calendário, com o “circo” viajando com frequência pela Ásia, Oriente Médio e Américas.

É claro que parte dessa mudança para fora do eixo tradicional europeu esteve ligada a interesses econômicos de países emergentes (e já consolidados), mais do que a uma iniciativa da FIA para tornar a categoria-rainha igualmente acessível aos seus milhões de fãs espalhados pelo planeta.

Ainda assim, nem mesmo músculo financeiro garante, por si só, uma etapa: prova disso é a ausência atual de um GP da Alemanha - o maior mercado europeu e berço de alguns dos fabricantes de automóveis mais relevantes do mundo.

Impulso da Netflix e do “F1: Dirigir para Viver”

Enquanto a Fórmula E ainda luta para ganhar projeção, a F1 conseguiu ampliar de forma significativa sua base de seguidores, impulsionada pela série da Netflix “F1: Dirigir para Viver” (que já chega à 8.ª temporada), responsável por apresentar a categoria a um público muito mais amplo. O filme recente estrelado pelo ainda carismático Brad Pitt também contribuiu para essa onda.

E, mesmo em meio às discussões sobre quando os motores a combustão receberão sua “certidão de óbito” (na Europa, é claro), há um dado marcante neste ano: pela primeira vez, oito marcas conhecidas do público nas ruas - Mercedes-AMG, Ferrari, Audi, McLaren, Aston Martin, Alpine, Toyota (em parceria com a Haas) e Cadillac - alinham no grid para disputar entre si o Mundial desta temporada.

A esse grupo de peso somam-se ainda a Honda (com a Aston Martin) e a Ford (com a Red Bull), ambas como fornecedoras de motores. Como manda a tradição, o início das disputas acontece em Melbourne, no GP da Austrália (de 6 a 8 de março).

Audi em estreia na Fórmula 1

A chegada da Audi à Fórmula 1 neste ano vem gerando expectativa, em parte por ter se antecipado à Porsche: além de ter “passado na frente” da marca-irmã no caminho até esse palco, trata-se também de uma estreia absoluta na categoria, construída a partir da estrutura remanescente da equipe Sauber.

Naturalmente, a Audi - assim como a Cadillac, outra novata prevista para 2026, interessada em reforçar a presença da F1 nos Estados Unidos - tem poucas chances de vencer já no ano de entrada. E a expectativa mais realista é que não apareça entre as principais forças antes da terceira temporada, algo que costuma ser visto como um padrão para equipes em fase de “batismo”.

Ainda assim, nos dois casos, a promessa é de compromisso de longo prazo com a Fórmula 1, com a ambição de conquistar um Campeonato Mundial até o fim da década.

A pergunta continua no ar: de onde vem esse entusiasmo renovado pela F1? Carlos Tavares, CEO da Stellantis até o fim de 2024 e conhecido por uma política dura de redução de custos, descreveu o cenário com precisão ao encerrar seu ciclo em um dos maiores grupos automotivos do planeta: “Quem quer ser reconhecido globalmente no desporto automóvel simplesmente não pode ignorar a F1. É caro - muito caro -, mas, no final de contas, vale a pena.”

Isso ocorre porque nem o WEC (Campeonato Mundial de Endurance), nem a IMSA, a IndyCar, o WRC (Campeonato Mundial de Rali), a NASCAR ou a Fórmula E (criada para acelerar a aceitação da eletromobilidade) chegam perto do nível de reconhecimento global da F1.

“Ganhar ao domingo, vender na segunda”

Para as montadoras, é decisivo sustentar a imagem de empresas capazes de desenvolver tecnologia automotiva e competir no topo contra as melhores marcas do mundo, mantendo vivo o velho slogan “ganhar no domingo, vender na segunda-feira” - até porque os carros de Fórmula 1 já utilizam, há anos, unidades de potência híbridas.

Nesta temporada, a potência do motor a gasolina turbo de 1,6 litros foi reduzida de forma considerável e, no sentido oposto, a do motor elétrico do sistema híbrido recebeu um aumento significativo.

Mesmo com reclamações abertas de pilotos do peso de Max Verstappen e Lewis Hamilton (somando 11 títulos mundiais entre os dois), que dizem que a F1 estaria se aproximando de uma espécie de Fórmula E e que os carros estariam tão lentos quanto os da F2, a eletrificação segue avançando.

Resta saber se esse aumento contínuo de eletrificação não acabará afastando o público dos autódromos e reduzindo as audiências na TV - que cresceram muito na última década graças a novas tecnologias de transmissão, capazes de tornar aquelas quase duas horas de prova mais envolventes e cheias de pontos de interesse, mesmo quando a corrida, em si, não entrega grande coisa. Se isso acontecer, pode não existir Netflix que resolva…

A resposta virá com as 24(!) corridas da temporada de 2026 (incluindo seis sprint em fins de semana de rodada dupla), na qual o GP de Ímola, na Itália, não estará no calendário, substituído por uma etapa em um novo circuito de rua aqui perto, em Madri.

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