Em 2025, o mercado automotivo português avançou e, enfim, voltou a se aproximar dos patamares de antes da pandemia: foram vendidos mais de 225 mil automóveis de passeio (ligeiros de passageiros), o que representa um crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior.
Ainda assim, há um padrão que permanece: os carros preferidos dos portugueses seguem sendo os carros usados. Na prática, para cada carro novo emplacado, são vendidos quatro carros usados em Portugal. O que explica essa valorização contínua dos usados? E quais tecnologias os portugueses ainda buscam?
Esses foram alguns dos temas que discutimos no Auto Rádio, podcast da Razão Automóvel com apoio do PiscaPisca.pt, com a participação de Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, e Filipe Neves, diretor do PiscaPisca.
O mercado automotivo português dos 15 mil euros
Para entender o mercado automotivo português, vale começar por um número que diz muito: 15 mil euros. É nessa faixa de preço que se concentra uma parcela relevante da demanda no mercado de usados - e isso ajuda a esclarecer por que alguns modelos continuam a liderar as buscas.
Nos últimos anos, a Renault vem sendo a marca mais procurada, e o Renault Clio - confira o nosso guia de compra - segue como o modelo mais pesquisado no PiscaPisca. Não é por acaso.
Há uma ligação direta entre os carros mais vendidos no mercado de novos e os mais buscados no mercado de usados. As duas dinâmicas caminham juntas: o que tem bom desempenho nas vendas quando é novo acaba alimentando, alguns anos depois, a oferta e a procura no mercado de usados.
Logo atrás aparecem nomes igualmente familiares: Peugeot 208, Mercedes-Benz Classe A, Citroën C3 e Opel Corsa. Em 2025, a Peugeot inclusive superou a Mercedes-Benz nas preferências gerais, ficando apenas atrás da rival francesa histórica, a Renault.
Um parque automotivo envelhecido… e envelhecendo
Independentemente do ângulo usado para olhar o mercado nacional, há um dado impossível de ignorar: a idade média do parque automotivo em Portugal chegou a 14,1 anos em 2024. E existem 1,6 milhões de carros com mais de 20 anos circulando nas estradas do país.
Mais do que um retrato pontual, isso indica uma tendência - e tudo aponta que ela não deve se reverter no curto prazo. Os usados importados ajudam a entender o motivo. Em 2025, a idade média dos automóveis de passeio importados foi de 7,9 anos. Cerca de 36% tinham entre 5 e 10 anos, e 19% tinham entre 10 e 15 anos.
No fim das contas, seguimos renovando o parque com carros que já chegam sem ser novos. E o efeito é direto: mesmo quando há renovação, ela não é suficiente, do ponto de vista estrutural, para reduzir a idade média da frota em circulação.
Diesel ainda resiste
Outro ponto que chama atenção é a resistência do diesel no mercado de usados. Se, no mercado de carros novos, o diesel já representa apenas 6%, entre os usados importados ele respondeu por 33% do total em 2025 - ou seja, a cada três carros usados importados, um é diesel.
Isso indica que, apesar da transição energética em andamento (já visível no mercado de carros novos), o diesel ainda mantém argumentos fortes no mercado secundário: autonomia, robustez e custo por quilômetro.
Ao mesmo tempo, os elétricos também avançam - e de forma constante. No mercado de novos, eles já somam 23% dos emplacamentos e, entre os usados importados, se aproximam de 21%.
Mais importante: as buscas por elétricos no mercado de usados estão crescendo, sinal de que o interesse já não fica restrito às empresas ou a incentivos fiscais.
Encontro marcado no Auto Rádio na próxima semana
Não faltam motivos, portanto, para assistir/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que volta na próxima semana nas plataformas de sempre: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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