2025 começou mexendo com o mercado automotivo europeu. Apesar de, no total, as vendas terem recuado em janeiro (-2,1%), os emplacamentos de carros elétricos - que precisam crescer para evitar multas por descumprimento das metas de emissões - avançaram 37,3%.
Esse salto nas vendas de elétricos chama atenção (vale lembrar que 2024 terminou com queda de 5,9%), mas o que mais surpreende é a virada da Tesla, marca que costuma liderar esse segmento na Europa, e que em janeiro teve um tombo relevante.
De acordo com números da ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis), a Tesla vendeu quase metade do que havia vendido antes: menos 45% em janeiro, totalizando apenas 9945 unidades.
No caso do Tesla Model Y, que já foi líder absoluto do mercado europeu e normalmente é o elétrico mais vendido no continente, a retração foi ainda mais profunda: menos 48,8% e 6066 unidades (fonte: DataForce). Ainda assim, o modelo terminou o mês como o segundo elétrico mais vendido na Europa.
Volkswagen quadriplica venda de elétricos na Europa
Quando uns perdem, outros ganham. E, aqui, a Volkswagen - justamente a montadora que está mais exposta ao risco de não cumprir as metas de emissões - teve um janeiro excepcional: as vendas dos seus modelos elétricos quadruplicaram em relação a janeiro de 2024 (!).
O bom momento não ficou restrito aos elétricos. A Volkswagen, como marca, também fechou um mês muito forte, com alta de 16,6% nas vendas totais (112 844 unidades). Ainda assim, o grande destaque ficou com os elétricos, em especial o Volkswagen ID.4.
O SUV elétrico alemão foi o elétrico mais vendido da Europa em janeiro de 2025, com 7151 unidades - um crescimento de 193,9% (!). Outros integrantes da família ID, como o ID.3 e o ID.7, também registraram saltos enormes.
Confira o TOP 10 dos elétricos mais vendidos na Europa:
O Tesla Model 3 também sofreu uma queda expressiva: as vendas recuaram 41,56%. Em janeiro deste ano, os modelos da Tesla foram os únicos do TOP 10 a apresentar variações negativas.
Também vale destacar duas estreias no TOP 10: Kia EV3 e o Renault 5.
O que está acontecendo com a Tesla?
A queda da Tesla chama atenção, mas pode ser explicada por diferentes fatores. No caso do Model Y, o diretor financeiro da marca, Vaibhav Taneja, durante a teleconferência de resultados de 2024, já havia alertado sobre a chegada do Model Y 2025 reestilizado (Juniper) - que já testamos; veja o vídeo abaixo - e sobre o impacto disso na produção. Segundo ele, a atualização do modelo custaria ao fabricante “várias semanas de produção”.
Se essa transição entre o Model Y antigo e o novo ajuda a entender a baixa, no caso do Model 3 a explicação pode estar ligada ao esforço da Tesla para acelerar as vendas no fim de 2024, o que pode ter consumido parte do estoque.
Na prática, isso pode ter resultado em um começo de 2025 com menos carros disponíveis em alguns mercados europeus.
E a Volkswagen?
No caso da Volkswagen, o motivo do crescimento explosivo pode estar associado às metas de emissões na União Europeia (UE) - e essa mesma lógica ajuda a explicar o avanço dos elétricos em outras marcas.
A questão é simples: para atingir as novas metas de emissões da UE para 2025, as montadoras precisam vender muito mais carros elétricos. Para acelerar esse movimento, várias empresas reforçaram campanhas promocionais e, em alguns casos, já começaram a reduzir os preços de determinados modelos (apertando as margens).
Foi exatamente o que vimos no ano passado no Reino Unido, que impôs cotas de venda de elétricos às marcas. Para cumpri-las e, ao mesmo tempo, evitar multas, a saída encontrada foi dar descontos - e grandes - nos preços dos elétricos; não há incentivos do governo britânico para a compra de elétricos.
As cotas não foram alcançadas (por pouco), mas, graças a “flexibilidades” no sistema implementado - como a compra de créditos de carbono -, nenhuma montadora acabou multada. Ainda assim, bilhões em lucro foram perdidos por conta dos descontos agressivos praticados.
Este é um dos cenários que pode se repetir na UE ao longo deste ano.
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