A Comissão Europeia apresentou hoje o seu Plano de Ação para proteger e fortalecer a indústria automobilística, depois de mais de um mês de negociações com diferentes representantes do setor.
Nos últimos dias, várias das iniciativas que a Comissão poderia anunciar já tinham sido divulgadas publicamente - e agora fica confirmado que todas elas foram incorporadas na versão final do documento.
De forma geral, o Plano de Ação divulgado hoje mira, principalmente, o ganho de competitividade da indústria automobilística em duas frentes: por um lado, o avanço tecnológico (como veículos autônomos e veículos definidos por software) e, por outro, o ecossistema dos veículos elétricos (produção de baterias, incentivos de compra, infraestrutura de carregamento, entre outros).
“Quero que a nossa indústria automóvel europeia assuma a liderança. O nosso objetivo comum é construir uma indústria automóvel sustentável, competitiva e inovadora na Europa, que beneficie os nossos cidadãos, a nossa economia e o nosso ambiente”
- Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
Baterias na Europa no Plano de Ação da Comissão Europeia
Um dos entraves mais relevantes para a indústria automobilística europeia hoje é a baixa competitividade dos elétricos produzidos na região diante de alternativas externas - com destaque para os modelos chineses.
Para enfrentar esse problema, o Plano de Ação da Comissão Europeia propõe medidas em múltiplas frentes, que incluem tanto ampliar a produção de baterias dentro da União Europeia quanto assegurar uma “cadeia de abastecimento segura e competitiva de matérias-primas para baterias”.
Com esse objetivo, a Comissão Europeia anunciou a disponibilização de 1,8 bilhão de euros, um investimento voltado a reduzir a dependência de fornecedores externos e a garantir a autonomia estratégica da Europa na fabricação de baterias para veículos elétricos.
Vale lembrar que a UE já vinha sinalizando a intenção de diminuir essa dependência externa na produção e no fornecimento de baterias. No fim de 2024, foi anunciada a concessão de subsídios que chegam a 1 bilhão de euros para fabricantes europeus de baterias.
Incentivos à compra de elétricos
Diante da demanda fraca por elétricos na Europa, a Comissão afirmou que está desenvolvendo medidas para estimular a adoção de carros de zero emissões: “o plano de ação inclui medidas que proporcionarão incentivos à transição para veículos com nível nulo de emissões”, afirma o comunicado.
Para que essas iniciativas tenham mais eficácia, a instituição pretende atuar em conjunto com os Estados-membros, promovendo a troca de informações sobre boas práticas e aprendizados de programas de incentivos já existentes - inclusive no campo da tributação.
A Comissão também quer incentivar modelos de leasing social para veículos de zero emissões, novos e seminovos.
O Plano de Ação ainda pede um novo impulso nas vendas de veículos de zero emissões para empresas e frotas. Hoje, esse canal já responde por 60% do total de vendas de carros novos na União Europeia.
Acelerar a inovação
Outro eixo de destaque do Plano de Ação é a criação de uma Aliança Europeia de Veículos Conectados e Autônomos, com a missão de reunir os atores relevantes do setor automobilístico para avançar no desenvolvimento dessas tecnologias.
Essa aliança deve apoiar a indústria na migração para veículos autônomos e com Inteligência Artificial. Paralelamente, a Comissão Europeia seguirá trabalhando tanto na regulamentação desses veículos quanto na construção de condições que permitam testes-piloto em larga escala, abrangendo o transporte autônomo de passageiros e também de cargas.
“Estas ações serão apoiadas por investimentos conjuntos público-privados de cerca de 1 bilhão de euros apoiados pelo Programa Horizon Europe durante o período 2025-2027”, informou a Comissão Europeia.
Flexibilização das normas de emissões
Após pedidos de diversos fabricantes para que as novas metas de emissões fossem suavizadas, a Comissão Europeia pretende propor ainda este mês uma mudança no regulamento de emissões de CO₂ (dióxido de carbono).
Apesar disso, as metas em si permanecem inalteradas. O que muda é o prazo disponível para o cumprimento: em vez de exigir que os fabricantes atinjam os objetivos já neste ano, a Comissão propõe que o cálculo seja distribuído ao longo de três anos (2025-2027).
A intenção é dar ao setor automobilístico mais tempo para se ajustar às metas de redução de emissões.
Apoio aos trabalhadores da indústria
Por fim, a Comissão também tratou de desafios ligados à falta de qualificação e ao envelhecimento da força de trabalho na indústria automobilística europeia.
Para lidar com esse cenário, será criado um fundo de 90 milhões de euros, destinado a financiar a formação e o desenvolvimento de competências no setor, ajudando trabalhadores a se adaptarem às novas exigências tecnológicas e à transição para a mobilidade limpa.
Além disso, será implementado um “Observatório Europeu para a Transição Justa”, que acompanhará tendências de emprego no setor automobilístico e apontará áreas específicas em que possam ocorrer perdas de postos de trabalho em decorrência de mudanças tecnológicas (como a transição para veículos elétricos).
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