A China hoje é o maior mercado automotivo do planeta - cerca de 27,5 milhões de automóveis de passeio emplacados em 2024, o que corresponde a 30% dos registros globais. Ainda assim, para as montadoras chinesas, o mercado interno já não é suficiente.
Depois de tirarem de cena diversas marcas europeias dentro da própria China - entre elas a Volkswagen, que liderou as vendas no país por muitos anos -, os fabricantes chineses passaram a buscar novas frentes estratégicas de expansão, e a Europa virou um dos principais alvos.
Em setembro, essa ofensiva resultou em mais um recorde de participação de mercado: 7,4%. Em junho, a fatia era de 5,5%, e, há um ano, não passava de 3,3%.
No total, foram comercializados 90 571 veículos chineses, uma alta de 149% em relação a setembro de 2024. Desse volume, 83% ficou concentrado em apenas três grupos: SAIC (MG), BYD e Chery (inclui Chery, Omoda e Jaecoo).
Esse avanço acelerado dos fabricantes chineses vai na contramão do desempenho do mercado europeu como um todo, que cresceu 10,7% no mesmo intervalo, chegando a 1 236 876 unidades (fonte: ACEA).
Como indicado no quadro acima, a SAIC ficou na dianteira em volume, com 33 556 unidades vendidas, mas quem teve o maior salto percentual foi a Chery (+587%). Hoje, a marca atua na Europa com três submarcas: Jaecoo, Omoda e Chery. O Jaecoo 7 (SUV) vendeu sozinho 9300 unidades, enquanto o Omoda 5 (SUV) acumulou 5500.
A BYD, por sua vez, chamou atenção com 24 336 unidades emplacadas (+434%), e o Seal U (SUV) foi o modelo mais vendido da marca, com 11 mil unidades.
Fabricantes chineses diversificam as motorizações
No começo, a presença das montadoras chinesas na Europa se apoiava principalmente em automóveis elétricos. Porém, depois que, no ano passado, passaram a valer tarifas de importação para elétricos produzidos na China, a estratégia começou a incluir outras opções de motorização, como os híbridos plug-in.
A mudança vem dando muito resultado. A participação dos híbridos plug-in dentro do total de carros chineses vendidos saltou de 3% em setembro de 2024 para 29% neste ano - enquanto os elétricos, no sentido oposto, recuaram de 48% para 32%.
O crescimento foi tão forte que, entre os 10 híbridos plug-in mais vendidos na Europa em setembro, quatro eram chineses. E o híbrido plug-in líder de vendas no continente, tanto em setembro quanto no acumulado do ano, também é chinês: BYD Seal U DM-i.
Os híbridos convencionais também ganharam participação: a fatia avançou de 13% no mesmo período de 2024 para 21% no mês passado, ao passo que os modelos a gasolina caíram de 31% para 16%.
Exportações chinesas estão em alta
De 2019 a 2024, as exportações de automóveis chineses dispararam, não apenas rumo à Europa, mas também para regiões como América Latina, Ásia, Oceania e Oriente Médio, de acordo com dados da Jato Analytics. A única exceção é a América do Norte, onde tarifas de 100% impediram a entrada de veículos chineses.
Mesmo com as tarifas aplicadas pela União Europeia (UE) aos elétricos produzidos na China, a Europa segue como o principal destino externo. Em 2024, foram enviados cerca de 325 mil automóveis ao “velho continente”, embora a taxa de penetração ainda seja relativamente baixa: 2,5%.
Para comparação, no ano passado os fabricantes chineses exportaram para a África apenas 41 mil unidades; ainda assim, a taxa de penetração nesse mercado está entre as mais altas: 13%.
“A Europa representa a maior oportunidade de crescimento. Isto deve-se, em grande parte, às condições favoráveis de importação para veículos não elétricos e a um caminho regulatório claro rumo à eletrificação, permitindo que os fabricantes chineses aproveitem os seus avanços em Veículos de Novas Energias (NEVs)”, lê-se no estudo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário