No âmbito do projeto para escolher seu futuro Veículo de Artilharia sobre Rodas (VAR), o Exército Argentino vem considerando o KNDS CAESAR como uma das alternativas capazes de formar um núcleo de modernidade da Arma de Artilharia. A análise do modelo francês atende à demanda da força por um sistema atual e versátil, com as capacidades necessárias para equipar as unidades integradas à Força de Desdobramento Rápido.
Embora um Relatório de Qualificação Técnica tenha colocado o KNDS CAESAR abaixo de um de seus concorrentes, essa apreciação não foi vinculante nem definitiva, já que o Exército ainda não havia realizado, até o momento, uma avaliação técnica própria. Ainda assim, o Veículo de Artilharia sobre Rodas de origem francesa é visto como uma plataforma madura, sustentada por muitos anos de serviço e, sobretudo, pelas experiências recentes em combate ao lado das Forças Armadas ucranianas.
Requisitos do projeto e quantitativos previstos
A exigência do Exército Argentino dentro do projeto “Incorporación de vehículos de artillerie pour équiper les groupes d’artillerie blindée” contempla um total de 72 veículos de combate de artilharia. Desse conjunto, 36 devem ser do tipo VAR, enquanto o restante terá configuração sobre lagartas. Para essa segunda categoria, a referência indicada é o M109 na variante KAWEST.
Núcleo de modernidade para a Arma de Artilharia
Para atualizar suas capacidades, o Exército Argentino optou por adotar o conceito de Núcleo de Modernidade: uma iniciativa voltada a incorporar elementos de tecnologia avançada que gerem inovação e doutrina, funcionando como a semente de um efeito multiplicador quando a experiência for acumulada, o material estiver consolidado e houver recursos orçamentários para expandi-lo. Entre os exemplos citados estão os programas TAM 2C-A2 e Stryker, atualmente em execução.
Em entrevista concedida à Zona Militar, o então Chefe do Estado-Maior Geral do Exército (e hoje ministro da Defesa), o tenente-general Carlos Alberto Presti, havia indicado que, em uma primeira etapa do núcleo de modernidade da artilharia, seria considerada a aquisição de ao menos uma bateria. Na ocasião, porém, não foram apresentados mais detalhes sobre qual tipo de sistema seria avaliado ou levado em conta.
De acordo com a análise da Zona Militar, esse núcleo inicial poderia ser direcionado à Força de Desdobramento Rápido, convergindo para a Xª Brigada Mecanizada com o objetivo de aproveitar ao máximo o processo de transformação e a introdução de inovações previstas com a chegada dos VCBR Stryker.
Orçamento previsto no planejamento público
Dentro dos projetos de investimento público incluídos no orçamento 2026, a incorporação de novos veículos de combate de artilharia conta com um montante inicial de 6.346.333.334 pesos (pouco mais de 4,5 milhões de dólares). Para os períodos de 2027 e 2028, está previsto um volume maior de recursos, com 41.545 e 72.014 milhões de pesos, respectivamente. O investimento total chega a cerca de 376.000 milhões de pesos, o que equivale a aproximadamente 265 milhões de dólares ao câmbio atual.
KNDS CAESAR
Diante das necessidades do Exército Argentino por um Veículo de Artilharia sobre Rodas, o KNDS CAESAR aparece como uma alternativa especialmente consistente, tanto pela maturidade da plataforma quanto pelo conjunto de capacidades que entrega como sistema de armas. As variantes MK1 e MK2 mantêm diversos pontos em comum: canhão de 155 mm / 52 calibres com alcance máximo que vai de mais de 38 km a 55 km, conforme a munição; cadência de tiro de até 6 disparos por minuto; sistema de carregamento automático e semiautomático; capacidade para 18 projéteis completos; e tempo de entrada em posição e de saída de aproximadamente 45 segundos.
Atualmente, a KNDS oferece duas versões do CAESAR (Camion Équipé d’un Système d’ARtillerie), sendo a MK2 a mais recente. Essa versão, também conhecida como NG, aprimora vários pontos em relação ao VAR MK1, incluindo mobilidade, proteção e sistemas de navegação.
As diferenças mais relevantes entre as versões MK1 e MK2 se concentram nos sistemas de navegação e de direção de tiro integrada, além de mobilidade e peso. Como o CAESAR MK2 recebeu uma nova cabine com blindagem adicional, seu peso de combate passou de 18 para 26,7 toneladas, o que faz com que o modelo deixe de ser compatível com o C-130 Hercules para transporte aéreo.
Nos últimos anos, o conjunto de capacidades do CAESAR o transformou em um sistema de artilharia bastante procurado, com contratos firmados com Estônia, Lituânia, Bélgica, França, República Tcheca, Croácia, Portugal, Eslovênia e Armênia. A essas vendas somam-se operadores de longa data como Arábia Saudita, Marrocos, Tailândia, Indonésia e Ucrânia.
No caso ucraniano, as experiências de combate com o KNDS CAESAR evidenciaram a mobilidade, o alcance e o poder de fogo do sistema, além de aspectos doutrinários que foram incorporados pelo Exército de Terra francês. O CAESAR MK2 traz parte de suas melhorias a partir de lições aprendidas extraídas dos campos de batalha na Ucrânia.
Vale destacar que as Forças Armadas ucranianas estão entre os principais usuários do CAESAR nas configurações 6×6 e 8×8, com cerca de 120 exemplares em serviço ao final de 2025.
Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Forças de Defesa da Estônia.
Tradução: Constanza Matteo
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