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A Mercedes está a mudar: há várias razões para isso

Carro prata Mercedes-Benz New CLA 2025 em showroom moderno com mapa digital ao fundo.

Se a Mercedes-Benz ainda lhe soa a formalidade alemã, este lançamento do novo Mercedes-Benz CLA foi um bom lembrete de que a marca está a mexer - e não é pouco. Ao chegar ao evento em Roma (Itália), dei de caras com um cenário que parecia feito para contrariar qualquer estereótipo sobre a Alemanha e os alemães.

Havia uma passadeira vermelha enorme, músicos como Will I Am no meio dos convidados (o ex-Black Eyed Peas até produziu uma música sobre o novo CLA) e, para fechar, um concerto da TYLA logo após a apresentação do diretor-executivo da marca.

Tudo isto num auditório montado de propósito no topo de uma montanha, com Roma como pano de fundo. 

A convite da Mercedes-Benz, estivemos entre os 600 convidados de todo o mundo, incluindo executivos do construtor, acionistas e equipas de vários departamentos. 

Mas há umas semanas, tinha estado algumas horas com o carro na fábrica, na Alemanha, onde gravei um vídeo que saiu à hora do levantamento do embargo. Ora veja ou reveja:

Foi um dos lançamentos do ano que mais audiência gerou no nosso website e no canal de YouTube, em tão poucas horas, por isso acredito que valeu a pena o esforço coordenado da nossa equipa, a quem dou os parabéns pelo empenho. 

Salto gigante

É, sem qualquer dúvida, um salto gigante para o Mercedes-Benz CLA em praticamente tudo. A versão elétrica chega com argumentos muito fortes, desde a autonomia anunciada (792 km!), até ao pacote tecnológico.

Quanto à qualidade, só o tempo vai confirmar como se vão portar materiais, equipamento e motores, mas pelo que vi e ouvi diretamente de engenheiros da marca, não houve espaço para facilitismos. Num elétrico com menos de 1,5 metros de altura, o espaço para a cabeça dos ocupantes é melhor do que eu esperava (foi possível graças a um truque, tal como expliquei no vídeo). 

Já o fundo do carro, por causa das baterias, fica ligeiramente mais alto do que seria ideal. A versão mild-hybrid é visualmente mais interessante e equilibrada. Como tem uma bateria muito pequena, não precisou de ser “levantada” como o elétrico, que exige mais altura ao solo devido ao pack de grandes dimensões. 

Uma versão mild-hybrid que não estava prevista, mas que permite à marca alemã apresentar uma alternativa para quem não quer um elétrico. 

O motor é totalmente novo e será desenvolvido pela Horse Powertrain, a joint venture firmada entre a Renault e a Geely. Esta passou a operar as anteriores unidades de desenvolvimento e produção de motorizações a combustão e híbridas do Grupo Renault e Geely - a fábrica de Cacia, em Portugal, já não pertence à Renault, mas sim à Horse Powertrain.

Tal como já referi no conteúdo que saiu, não é no espaço que o novo Mercedes-Benz CLA vai convencer, apesar de ter melhorado face ao modelo atual. Acredito que esta nova plataforma (MMA) vai mostrar o seu verdadeiro potencial na próxima geração do GLA, um modelo que estou muito curioso para ver como vai evoluir. A versão shooting brake, que inicialmente não estava nos planos, também vai chegar e vai trazer mais versatilidade ao CLA. 

Um chip numa mão, os chineses na outra

Numa fase em que os construtores tentam entregar software melhor, a Mercedes-Benz coloca a fasquia bem alta e assume que quer liderar neste capítulo. O CEO da marca começou a conferência com um chip na mão. 

É um passo inevitável para a indústria automóvel europeia, que procura ganhar ritmo face aos EUA e à China.

Isto tem sido acompanhado por outros construtores, seja através de parcerias estratégicas - Volkswagen com a Rivian, por exemplo - ou por desenvolvimento interno, como é o caso da Mercedes-Benz. E o resultado é animador.

Do ponto de vista tecnológico, é o melhor carro do segmento e a integração dos sistemas, bem como a forma como tudo é apresentado, deixa muitos concorrentes a uns bons anos de distância. 

A Mercedes, como todos os construtores, precisa também de reforçar os seus argumentos na China, onde está a perder terreno, tal como a maioria das marcas ocidentais. 

As novas gerações de chineses já não olham para as marcas do Ocidente como os pais e os avós. Procuram cada vez mais, dentro da China, marcas e produtos nacionais, em todas as áreas. 

Isto não está a afetar apenas os construtores de automóveis. Starbucks, Apple, Nike, entre muitos outros, estão no mesmo barco - e a maré não está a favor. 

Fecho de lojas, vendas em queda e a rentabilidade por unidade vendida a diminuir, pressionadas pelos preços da concorrência chinesa, estão a baralhar as contas. 

Ao contrário de alguns comentários, possivelmente menos informados, que vou lendo e recebendo, não me parece que não estar na China, um dos maiores mercados mundiais de consumo, seja uma opção. Tal como para os chineses não é uma opção não estar na Europa. 

O que devemos exigir é a mesma reciprocidade de tratamento, fiscalização e, acima de tudo, transparência. 

Ao colocar como entrada de gama o CLA (o Classe A vai sair de produção no final do ano e não deve voltar - representa cerca de 20% das vendas em Portugal) a Mercedes-Benz está a apontar a uma maior diferenciação e rentabilidade, o que poderá não significar mais unidades vendidas. 

Mas ter contas saudáveis e capital para investir em melhores produtos parecem ser bons motivos para os acionistas terem aceite esta estratégia.

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