A segunda geração do Nissan Qashqai foi um fenômeno de vendas. Entre os usados, as unidades fabricadas após 2017 são as mais interessantes.
Em 2014, a Nissan colocou nas ruas a segunda geração do Qashqai. Assim como aconteceu com o primeiro, o acerto da receita fez sucesso rapidamente: carroceria de SUV, bom espaço interno, motores coerentes com a proposta, bastante equipamento e valores competitivos.
Mais de dez anos depois, segue entre os SUV mais disputados no mercado de usados pelos mesmos motivos. No Piscapisca.pt, encontramos mais de 400 unidades anunciadas, com preços entre 10 000 euros e 29 000 euros.
Neste «usado da semana», explicamos o que você precisa avaliar antes de fechar negócio - das motorizações aos níveis de equipamento - e, claro, os pontos que merecem atenção extra.
Feito sob medida para os europeus
O Nissan Qashqai sempre apostou em um visual “agradável para todo mundo”. Criado e desenvolvido com foco no público europeu, interpretou bem o que os compradores do «velho continente» esperam de um SUV familiar.
Construído sobre a plataforma CMF da Aliança Renault-Nissan, ele cresceu onde fazia diferença: ficou 47 mm mais comprido, baixou um pouco a altura e ainda ganhou alguns milímetros em largura.
Identificada internamente pelo código J11, essa segunda geração passou a parecer mais moderna e menos “sem graça” do que o Qashqai original, com traços mais marcados e detalhes estéticos finalmente compatíveis com o sucesso comercial do modelo.
Interior do Nissan Qashqai (J11): salto enorme de qualidade
A mudança mais evidente do Qashqai entre a primeira e a segunda geração aparece por dentro. O modelo inicial ainda carregava aquele clima mais duro e utilitário típico de SUVs dos anos 1990.
Já o Qashqai que estreou em 2014 virou a página: desenho mais limpo, materiais mais caprichados e um interior que buscava se aproximar do padrão que os melhores coreanos (Kia e Hyundai) e europeus (SEAT, Volkswagen, Skoda, Peugeot e Citroën) já ofereciam.
Mesmo assim, a Nissan foi conservadora - principalmente no acabamento e na qualidade de montagem. Algumas das marcas citadas entregavam mais nesse quesito, mas isso também aparecia no preço.
A japonesa preferiu priorizar ergonomia, uso descomplicado e custo. E o mercado mostrou que a estratégia deu certo. Os bancos dianteiros eram muito bons, a sensação de qualidade evoluiu e a disposição dos comandos ficou no nível do Grupo Volkswagen. Não era algo feito para impressionar, e sim para funcionar.
Em espaço, também houve avanço. O aumento das medidas externas foi o suficiente para melhorar conforto e área para quem vai atrás, além de deixar o porta-malas mais prático, com soluções úteis como o piso modular.
Ele não chegava ao volume do Skoda Karoq (521 litros), mas, ainda assim, os 430 litros do Qashqai estão longe de serem “apertados”.
Falando em versões e equipamentos, a gama seguia uma estrutura fácil de entender, com diferenças de preço bem marcadas - a ponto de, em certos casos, quase dobrar o valor do Qashqai. O Visia era a opção de entrada, entregando o básico por um preço que boa parte dos rivais não conseguia igualar.
O Acenta já acrescentava itens de conforto. Porém, era no N-Connecta que aparecia a virada de chave em tecnologia e equipamentos, incluindo câmera de ré e assistentes de condução.
Um degrau acima - especialmente no bolso - vinha o Tekna, com clima quase premium, faróis/iluminação em LED, som Bose e mais recursos de segurança. Já o Tekna+ era o topo de linha, com couro Nappa e teto panorâmico.
Com o facelift de 2017, os estofamentos melhoraram bastante, assim como alguns detalhes internos. A ergonomia do volante também evoluiu de forma clara.
Comportamento em estrada: bom equilíbrio
Na primeira geração, o Qashqai já tinha mostrado que um crossover não precisava ser um “barco” - e que até dava para ter alguma graça ao volante. A segunda geração manteve essa filosofia, só que mais bem resolvida.
A suspensão colocava o Qashqai (J11) no lado mais firme do segmento. Em piso ruim, dava para sentir um pouco de agitação, mas nada que tirasse o caráter familiar do carro. Quando o testamos pela primeira vez, em 2014, ficou evidente que era um veículo confortável, sem truques e sem promessas fora da realidade.
Curiosamente, ser “normal” era o ponto forte: previsível, equilibrado e estável. Aquele típico “faz tudo bem” que muitas famílias procuram. Ele nunca tentou parecer algo que não era - e talvez por isso tenha funcionado tão bem.
Só quando se força o limite de aderência - em um ritmo pouco comum para esse tipo de carro - aparecem algumas concessões em relação a um modelo mais baixo, como o Volkswagen Golf. Na acústica, o Qashqai também não liderava o segmento, mas não chegava a decepcionar.
Evolução dos preços no mercado
Como mencionamos no início deste «usado da semana», no Piscapisca.pt há mais de 400 unidades à venda, com valores entre 10 000 euros e 29 000 euros - pode conferir todas as unidades do Nissan Qashqai aqui.
Dados da consultoria MotorCV, que reúne valores reais de transações no mercado de usados, indicam como foi a evolução/depreciação do Nissan Qashqai (2ª geração) ao longo dos anos:
Esses números servem apenas como referência. Versão, quilometragem, motorização e nível de equipamento podem alterar bastante o preço final de cada Qashqai.
De modo geral, dentro do segmento de SUVs médios, este japonês “made in Europa” continua figurando entre os mais acessíveis.
Custos de uso e pontos de atenção
Em alguns componentes, o Nissan Qashqai (J11) não é tão “tanque” quanto certos concorrentes, mas, no conjunto, tem boa reputação. Neste relatório fornecido pela MotorCV, você encontra os principais recalls desta geração do Nissan Qashqai:
Para aumentar a segurança na escolha, sempre que possível peça o histórico de manutenção. No Piscapisca.pt, há mais de 110 unidades certificadas e com garantia.
E aqui vão as boas notícias: por ser um modelo muito vendido, a maior parte das peças costuma ter preço razoável e disponibilidade fácil. Reunimos valores que você pode esperar para alguns itens comuns:
Por exemplo, nos motores 1.6 dCi, 1.5 dCi e 1.2 DIG-T, existem relatos recorrentes de falha no turbo. Os sinais são bem característicos: o carro não passa das 2000 rpm e aparece fumaça azul ou preta ao acelerar. Na prática, a solução quase sempre é a mesma: trocar o turbo. A peça costuma custar entre 400 euros e 700 euros (mão de obra à parte).
Vale ainda checar com atenção a condição do filtro de partículas - ou até a ausência dele - nas versões com motor Diesel.
Sobre a suspensão, fique atento a batidas vindas dos amortecedores traseiros por desgaste precoce. Verifique o estado dos amortecedores e observe se o consumo dos pneus é uniforme.
Também há registro de infiltração pelo para-brisa, principalmente em unidades que passaram por trocas mal feitas. A água pode ficar acumulada sob o carpete, gerar mau cheiro e até atingir módulos eletrônicos. Levantar uma ponta do carpete e olhar as extremidades do painel é simples e pode evitar uma surpresas desagradáveis.
A nossa escolha de motor e versão no Nissan Qashqai
Como é de se esperar, a decisão da motorização precisa considerar seu tipo de uso. Além disso, em um carro usado, entram outras variáveis importantes: manutenção documentada, quilometragem, entre outras.
Dito isso, a opção mais comum no Nissan Qashqai é o 1.5 dCi de origem Renault. Trata-se de um motor resistente, confiável e muito econômico. Neste artigo falamos dos principais problemas e virtudes deste motor Diesel:
Em comparação com as versões que trazem o 1.6 dCi (mais forte e mais moderno), ele perde em aceleração e velocidade final, mas a diferença não é grande. No uso do dia a dia, tende a pesar a favor do 1.5 dCi a resposta em baixa rotação e, principalmente, o consumo.
Se seus trajetos são curtos e, em sua maioria, urbanos, as versões a gasolina costumam ser a escolha mais adequada - especialmente o 1.3 DIG-T. Assim, você reduz o risco de problemas ligados ao entupimento do filtro de partículas e, por outro lado, passa a contar com 140 cv de potência.
Quanto aos níveis de equipamento, Tekna e N-Connecta são os mais desejados. A lista de itens de conforto e tecnologia é bem completa.
Alternativas ao Nissan Qashqai
O Nissan Qashqai foi o percursor do segmento de SUVs/crossover familiares compactos. Uma combinação vencedora que, na primeira geração, rendeu à marca mais três milhões de unidades produzidas.
Com isso, praticamente todas as fabricantes quiseram entrar no jogo. E quando a segunda geração do Qashqai chegou, a concorrência já estava preparada. Entre os rivais, havia propostas com armas parecidas - como o Renault Kadjar, que utiliza a mesma plataforma e os mesmos motores do Qashqai.
No Grupo Volkswagen, os principais adversários eram o SEAT Ateca e o Skoda Karoq. Dois modelos muito próximos entre si, que tinham nos motores 1.0 TSI e 1.6 TDI cartas importantes. Além disso, ofereciam porta-malas acima da média do segmento. Em relação ao Qashqai, perdiam em equipamento de série, mas levavam vantagem na qualidade geral do interior.
Entre as marcas sul-coreanas, vale destacar Kia Sportage e Hyundai Tucson. Outra dupla com soluções compartilhadas (motores, plataforma etc.). O Hyundai Tucson entrega um dos interiores mais bem isolados acusticamente e bem construídos da categoria. O Kia Sportage não tem o mesmo nível de atenção aos detalhes do “irmão”, mas aposta em visual e postura mais “desportiva”. E há um ponto forte: como as garantias são bem longas, é comum encontrar no mercado de usados Hyundai e Kia ainda cobertos pela garantia de fábrica.
Por fim, o Toyota C-HR. É, sem dúvida, o menos “família” desta lista, mas devolve com um argumento de peso: consumo muito baixo graças ao híbrido da Toyota. Não é o melhor parceiro para acelerações fortes (por conta do câmbio CVT), mas na cidade se destaca pelos números de consumo bem contidos.
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