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Estudo da Universidade de Sydney: 11 minutos a mais de sono, 4,5 minutos de atividade física e 1/4 de xícara de vegetais podem reduzir em 10% o risco cardiovascular em 8 anos

Pessoa preparando salada com sementes em cozinha, ao lado de tênis e copo de água com limão.

Diversos fatores influenciam o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca - e muitos deles têm relação direta com escolhas de estilo de vida que a maioria das pessoas consegue ajustar. Um novo estudo destacou três melhorias pequenas, porém práticas, em sono, alimentação e atividade física.

O que o estudo analisou

A pesquisa, conduzida por uma equipa da Universidade de Sydney, procurou entender como esses três componentes - quando considerados em conjunto - se relacionam com a saúde cardiovascular, já que estudos anteriores haviam associado cada um deles, separadamente, a melhores desfechos para o coração.

Para isso, os cientistas analisaram dados de 53.242 participantes, com idade média de 63 anos. A partir dessa análise, observaram que acrescentar, no dia a dia, 11 minutos a mais de sono, 4,5 minutos extras de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e mais 1/4 de xícara (cerca de 60 mL) de vegetais por dia esteve associado a uma redução de 10%, ao longo de oito anos, no risco de eventos cardiovasculares maiores - incluindo infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

Embora o estudo não consiga demonstrar uma relação direta de causa e efeito, os dados apontaram uma correlação favorável entre esses três comportamentos e um risco global menor. Em outras palavras, reforçam a ideia de que uma vida mais saudável pode começar com mudanças relativamente pequenas.

"Mostramos que combinar pequenas mudanças em algumas áreas das nossas vidas pode ter um impacto positivo surpreendentemente grande na nossa saúde cardiovascular", afirma o cientista de nutrição Nicholas Koemel, da Universidade de Sydney.

"Isso é uma notícia muito encorajadora, porque fazer algumas mudanças pequenas e combinadas provavelmente é mais viável e sustentável para a maioria das pessoas do que tentar mudanças grandes em um único comportamento."

Como sono, atividade física e dieta foram medidos

As informações usadas na pesquisa foram obtidas por meio de dispositivos vestíveis (para monitorar sono e atividade) e questionários (para avaliar a alimentação). Na análise, os autores também consideraram diversos fatores de risco capazes de influenciar os resultados, como idade, sexo e hábitos de tabagismo e consumo de álcool.

Meta ideal de hábitos (Universidade de Sydney)

Para quem prefere ter um objetivo mais ambicioso, o estudo também descreveu a combinação considerada mais favorável: 8–9 horas de sono por noite, 42 minutos ou mais de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por dia e uma pontuação modesta de qualidade da dieta.

Essa combinação esteve associada a uma redução de 57% em eventos cardiovasculares maiores ao longo dos oito anos de acompanhamento, quando comparada ao perfil de saúde menos favorável identificado no estudo.

A atividade física de intensidade moderada a vigorosa, conforme descrita pelos autores, pode ser algo como:

  • caminhar em ritmo acelerado;
  • subir um lance de escadas;
  • carregar as compras.

Já a qualidade da dieta foi pontuada com base em:

  • maior consumo de frutas, vegetais, peixes e grãos integrais;
  • menor ingestão de carnes processadas e bebidas açucaradas.

Por que combinar comportamentos faz diferença

A saúde, porém, é multifatorial - e sono, exercício e alimentação também interagem entre si. Por exemplo, melhorar o nível de atividade física pode contribuir para um sono melhor. Por isso, essa nova análise oferece aos pesquisadores uma visão adicional sobre como comportamentos saudáveis, quando combinados, podem se relacionar com o risco de doenças.

"Planejamos avançar a partir desses resultados para desenvolver novas ferramentas digitais que apoiem as pessoas a fazer mudanças positivas no estilo de vida e a estabelecer hábitos saudáveis duradouros", diz o epidemiologista e autor sénior Emmanuel Stamatakis, da Universidade de Sydney.

"Isso vai envolver trabalhar de perto com membros da comunidade para garantir que as ferramentas sejam fáceis de usar e que consigam lidar com as barreiras que todos enfrentamos ao tentar fazer pequenos ajustes nas rotinas do dia a dia."

Contexto: por que isso é urgente

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte no mundo, e especialistas seguem a investigar fatores associados e elementos que aumentam o risco.

Há uma necessidade urgente de compreender melhor como eventos cardiovasculares maiores são desencadeados e de que forma poderemos prevê-los com mais precisão no futuro.

Hoje, já é possível identificar muitos sinais de alerta precocemente, e esses resultados recentes ampliam o entendimento sobre maneiras práticas de reduzir riscos para a saúde do coração. Ao agrupar fatores de risco, a análise sugere que mudanças menores - e mais fáceis de cumprir - também podem trazer benefícios.

"Fazer até mesmo ajustes modestos nas nossas rotinas diárias provavelmente traz benefícios cardiovasculares e também cria oportunidades para novas mudanças no longo prazo", afirma Koemel.

"Eu encorajaria as pessoas a não ignorarem a importância de fazer uma ou duas pequenas mudanças na rotina diária, por menores que pareçam."

A pesquisa foi publicada na Revista Europeia de Cardiologia Preventiva.

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