Pular para o conteúdo

CUPRA Born VZ: elétricos e hot hatch dão certo?

Carro elétrico Cupra Born azul com detalhes em cobre em estúdio com fundo branco.

O CUPRA Born VZ quer mostrar que elétricos e hot hatch podem, sim, andar lado a lado. Será que ele entrega o que promete?


É só a minha visão, mas sigo achando a CUPRA um dos fenômenos mais interessantes do mundo automotivo recente - e que realmente merece aplausos, pelo quanto evoluiu em tão pouco tempo.

O Born foi o primeiro modelo 100% elétrico da marca e, mesmo sendo muito próximo do Volkswagen ID.3, conseguiu abrir espaço por conta própria. A identidade ficou mais forte, tanto no visual com pegada esportiva quanto numa condução mais afiada.

Agora ele ganha uma configuração nova e ainda mais “rebelde”: o Born VZ. Em espanhol, a sigla funciona como abreviação de “Veloz” - e, aqui, o nome faz total sentido. São 240 kW de potência, o equivalente a 326 cv, ou seja, 95 cv a mais do que o Born imediatamente abaixo.

O melhor é que ele segue com apenas um motor e tração traseira - algo raro num hot hatch, mas relativamente comum nos elétricos atuais. Será que essa é a receita certa para o hot hatch do amanhã?

Não se distingue muito

Mesmo sendo a versão topo de linha, o CUPRA Born VZ, por fora, não chama tanta atenção quando comparado aos outros Born.

Só observando com mais cuidado dá para notar as rodas de 20” (19” nas demais versões) e os detalhes no tom cobre típico da marca. Esses elementos ficam ainda mais evidentes com a nova cor - exclusiva do VZ -, o verde Dark Forest, como no carro testado.

Interior também é mais VZ

Por dentro, a lógica se repete. Os bancos esportivos da Sabelt são o que mais salta aos olhos, com maior apoio lateral e aparência bem esportiva; o volante com dois botões circulares também se destaca. No restante, porém, é praticamente o mesmo Born que já conhecemos.

Os botões circulares do volante servem para mudar os modos de condução. O que traz o logo da CUPRA aciona o modo “faca nos dentes”, enquanto o “Drive” alterna entre Range, Comfort, Performance e Individual.

Nesse último, dá para ajustar vários parâmetros, como o peso da direção, a resposta do motor e até a intensidade do ar-condicionado. Mais importante ainda: é possível mexer na firmeza da suspensão adaptativa, com cinco níveis entre conforto e… CUPRA.

Atrás do volante, aparecem duas hastes com os sinais “-” e “+”. Elas lembram as trocas de marcha dos esportivos a combustão, mas este elétrico não tem câmbio - trabalha com uma única relação fixa.

Por isso, essas hastes ganham outra utilidade: alternar os níveis de regeneração, com três patamares e um modo automático.

A tela central sensível ao toque cresceu para 12,9”, mantendo gráficos atraentes e boa resolução. Ainda assim, continuam existindo páginas e funções demais, o que às vezes faz a gente perder mais tempo do que gostaria até chegar ao que procura.

O Born VZ é ou não um hot hatch?

Juntar elétricos e hot hatch costuma provocar discussões acaloradas, mas calma. A CUPRA não se limitou a subir a potência para criar o Born VZ, como já vimos em elétricos de outras marcas.

Há amortecedores e molas novos, as barras estabilizadoras foram retrabalhadas e, para fechar o pacote, a suspensão adaptativa DCC (Dynamic Chassis Control) entra como item de série. A direção também recebeu atenção para ganhar precisão, assim como o tato do pedal do freio.

Por outro lado, há pneus de apenas 215 mm de largura atrás - para 326 cv e 545 Nm (!) - e os freios traseiros seguem sendo… a tambor.

Sim, a CUPRA não levou o Born VZ tão longe quanto a Hyundai fez ao transformar o IONIQ 5 no IONIQ 5 N - até porque os objetivos são diferentes -, mas não é preciso rodar muitos quilômetros para notar que houve evolução.

Em curvas com mais apoio, a suspensão mostra uma eficiência quase “à prova de erro”, e a direção acompanha: precisa e direta o suficiente. O pedal de freio também foge do padrão de grande parte dos elétricos, já que mal se percebe a transição entre frear de fato e regenerar energia.

Mesmo com 326 cv e 545 Nm indo só para as rodas traseiras relativamente estreitas, a tração é alta. E, se você exagerar na saída de curva, a traseira ainda dá sinais de vida.

Ainda assim, não adianta imaginar sessões de drift, porque a eletrônica (que não pode ser desligada) assume o controle rapidamente.

Veloz. Muito veloz…

Os 326 cv parecem mais do que o número sugere - e isso aparece na força com que o carro cola suas costas no banco. A CUPRA informa 5,7s para ir de 0 a 100 km/h.

Mais impressionante do que o dado em si é a rapidez com que o velocímetro sobe. A sensação de ganho de velocidade lembra um esportivo forte a gasolina, daqueles que, quando estão de “pulmão cheio”, aceleram acompanhados de um ronco marcante no escape.

Só que aqui é… em silêncio e ainda mais rápido. O som do motor é, de fato, a principal ausência - mas, sendo um elétrico, melhor não ter som nenhum do que adotar algo forçado e artificial.

Apetite moderado

Eu confesso que, depois de ver 513 km (97% de carga) ao entrar no Born VZ pela primeira vez, não fiquei especialmente preocupado com autonomia. Ao fim do teste, eu tinha rodado 530 km, o que me obrigou a recarregar parcialmente a bateria de 79 kWh (úteis).

O consumo médio final foi de 16,6 kWh/100 km, um resultado excelente para um modelo esportivo - e que passou longe de ser guiado “pisando em ovos”.

Tom cobre da CUPRA não é ouro, mas…

Dizem que tudo o que é mais divertido costuma ser proibido ou caro. No CUPRA Born VZ, existe um pouco dos dois. Proibido porque é muito fácil se ver em velocidades acima do permitido - que o alerta sonoro dos sistemas ADAS não me deixe mentir.

Caro porque o preço inicial do CUPRA Born VZ já parte de mais de 50 mil euros e, no carro testado - que respondeu à lista de opcionais dizendo apenas “sim” -, o valor ficou a só 250 euros de alcançar os 60 mil.

Ainda assim, “caro” aqui também é relativo: o preço fica alinhado ao de um Volkswagen Golf GTI (265 cv). Ele tem menos potência, mas é bem mais leve (mais de 500 kg de diferença), o que o deixa muito próximo do Born VZ em aceleração. E ainda segue acelerando até 250 km/h - o Born VZ é limitado a 200 km/h.

No fim, a decisão depende do que vocês estão procurando. O que eu posso afirmar é que o Born VZ me deu um prazer enorme ao volante, como poucos modelos 100% elétricos conseguiram até agora.

Se a ideia é entrar nessa nova leva de elétricos mais esportivos, há alternativas além do óbvio e tecnicamente idêntico Volkswagen ID.3 GTX Performance.

Temos o MG4 XPower, com um conjunto potência (435 cv)-preço (pouco mais de 44 mil euros) difícil de bater, mas que deixa a desejar em dinâmica e diversão.

Se você prefere algo mais focado, mesmo sendo de um segmento abaixo, existem os italianos Alfa Romeo Junior Veloce e Abarth 600 Scorpionissima. Eles custam um pouco menos (menos de 50 mil euros), mas o que perdem em potência (280 cv) ou autonomia (bateria com 54 kWh), devolvem em acerto dinâmico e prazer de dirigir.

Veredito

Especificações técnicas

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário