Na maioria das noites de terça-feira, a treta na cozinha não começa por causa de política ou dinheiro. Começa por causa de batata frita. Em um apê pequeno em São Paulo, Emma, 34, segura o cesto da air fryer como se fosse um troféu, enquanto o parceiro dela passa o dedo no celular e apresenta a “nova solução”: uma panela multicooker que grelha, cozinha no vapor, faz cozimento lento, assa, cozinha sob pressão e - segundo ele - “deixa a air fryer no chinelo”. Nove funções, fotos de marketing brilhando, e um slogan que basicamente diz: tudo o que a sua air fryer faz, eu faço melhor.
Nas redes sociais, essa discussão virou uma guerrinha. Quem ama air fryer se sente provocado. Quem cozinha por curiosidade fica tentado. E as marcas sentem que apareceu um novo território para conquistar. De repente, uma máquina com nove funções transforma a bancada da cozinha em campo de batalha.
A new challenger walks into the kitchen
A nova multicooker parece inofensiva quando sai da caixa. Um pouco mais parruda que uma air fryer clássica, com uma tampa que parece de nave espacial e um painel cheio de ícones iluminados, quase como teclado gamer. Um seletor, alguns botões, e promessas de batatas mais “saudáveis”, ensopados mais rápidos, frango mais crocante, arroz mais soltinho.
O vídeo de lançamento não sugere nada - ele grita. A apresentadora joga batata congelada no cesto, toca em “crisp” na tela e, em segundos, já alterna para “steam”, “bake”, “sauté”, “slow cook”, tudo em menos de um minuto. A ideia é direta: por que lotar a bancada se uma máquina só pode mandar em tudo?
É essa frase que cutuca de verdade quem é fã da air fryer clássica.
No TikTok e no Instagram, as reações são imediatas e bem emocionais. Um vídeo mostra uma criadora arrastando a air fryer pelo chão “em protesto”, brincando que a nova panela está “tentando apagar a melhor amiga dela”. Nos comentários, milhares de pessoas juram que a air fryer mudou o jeito de fazer jantar durante a semana.
Outro vídeo puxa para o lado oposto. Um pai de três filhos coloca lado a lado a air fryer antiga e a multicooker nova, com timer nas duas. Coxas de frango entram nos dois aparelhos. Ele serve os resultados, corta e decreta a multicooker vencedora: carne mais suculenta, pele mais crocante, menos fumaça.
O vídeo bate milhões de views, e a seção de comentários vira um caos: traição, empolgação, piadas sobre “infidelidade com eletrodoméstico” e uma nostalgia surpreendente por um aparelho que só virou febre há poucos anos.
Por trás do barulho, existe uma tensão bem simples. A air fryer virou ícone porque resolvia um problema específico: comida rápida, crocante e com menos óleo, com o mínimo de esforço. A multicooker quer resolver dez problemas de uma vez. Para uns, isso soa como liberdade. Para outros, parece complicação fantasiada de inovação.
As marcas sabem exatamente o que estão fazendo. Cada recurso empurra você para a ideia de que a sua cozinha está “incompleta” sem um aparelho que refogue cebola, cozinhe lentamente um ensopado, faça feijão na pressão e, no final, dê aquele acabamento com ar quente para deixar tudo crocante. A mensagem não é neutra: sua air fryer começa a parecer velha, limitada, quase ingênua.
E é aí que a irritação aparece. Ninguém gosta de ouvir que o herói do dia a dia ficou ultrapassado.
How this nine-in-one gadget actually works in real life
No papel, o sistema é esperto. A multicooker combina funções em camadas, em vez de separar tudo. Ela tem uma tampa selada para pressão e cozimento lento, uma tampa/peça de “crisp” para circular ar quente e uma base que doura e refoga como uma panela. Uma cuba, três lógicas de preparo.
Um movimento típico de noite de semana é assim: joga frango, caldo e temperos na cuba, aperta “pressure cook” por 12 minutos e depois muda para “crisp” para dourar a pele sem sujar outra assadeira. O mesmo vale para couve-flor, batata ou tofu. Você não está só requentando: está cozinhando e finalizando no mesmo recipiente.
Para quem vive sem tempo, essa combinação parece quase mágica - quando dá certo.
Cozinha de verdade é menos organizada do que a propaganda. Uma estudante em Belo Horizonte me contou que usou a multicooker para fazer chili em quantidade no domingo, cozinhar grão-de-bico na pressão na segunda e, na terça, deixar batatas que sobraram mais crocantes no modo “crisp”. Ela adora como isso libera espaço do fogão na república. Mas admite que teve que ler o manual três vezes antes de criar coragem para usar a pressão.
Uma família em Porto Alegre testou a nove em um como o “único” aparelho principal por uma semana inteira. Fizeram iogurte de madrugada, um risoto que começou no refogar e terminou na pressão, e um frango inteiro assado que fechou no modo crocante. A comida ficou boa - até impressionante. O lado ruim? A cuba estava sempre em uso ou na pia, e quando alguém queria só uma porção rápida de batata, sentiam falta da simplicidade de jogar direto no cesto da air fryer dedicada.
Conveniente, no fim das contas, não é só ter recursos. É ter menos atrito.
O sentimento por trás da reação defensiva é fácil de entender. Fãs de air fryer sentem que o atalho confiável deles está sendo tirado sarro como “básico” por um novato mais complexo e mais caro. Também existe um conforto psicológico no aparelho de função única: ele faz uma coisa, você aperta um botão, e tem um resultado previsível. A multicooker pede confiança em vários modos, etapas sobrepostas e uma curva de aprendizado.
Os fabricantes insistem na ideia de “substituir vários aparelhos de uma vez”, mas cozinha não é planilha. A gente se apega ao jeito de cozinhar, ao barulho do ventilador pré-aquecendo, ao ritual de sacudir o cesto na metade do tempo. Você não está só trocando de máquina - está trocando de hábito.
E, sendo bem sinceros: ninguém usa as nove funções todos os dias.
Choosing sides (or not) in the air fryer vs multitasker battle
Um jeito prático de cortar o ruído é começar por um prato que você faz sempre. Esse prato repetido é seu ponto de apoio. Se a sua rotina gira em torno de legumes na assadeira e batata tipo forno, a air fryer pura ainda ganha na simplicidade: pré-aquece, joga, deixa crocante, acabou. Se o que manda na sua semana são ensopados, curries, feijão e grãos, a combinação pressão + finalização crocante passa a fazer muito sentido.
Teste um experimento pequeno: por uma semana, anote o que você realmente cozinha nas noites de semana - não o que você gostaria de cozinhar. Macarrão, nuggets congelados, legumes assados, marmita requentada. Depois compare essa lista com as nove funções da caixa. Você vai enxergar rápido se a promessa multitarefa combina com sua realidade ou só com a sua versão “aspiracional”.
O melhor aparelho é o que cabe na sua terça-feira real, não no seu domingo imaginário.
Boa parte da frustração nasce da expectativa. As pessoas compram uma nove em um achando que vão virar o tipo de cozinheiro que fermenta massa devagar, deixa feijão de molho, cozinha peixe no vapor no papel manteiga. Aí acabam usando só para batata e asinhas congeladas - e ficam com uma culpa vaga. Todo mundo já passou por isso: o momento em que um eletrodoméstico bonito vira um coletor caro de poeira.
Também existe a armadilha de comparar o pior de um aparelho com o melhor do outro. Um cesto de air fryer lotado demais, sem mexer direito, obviamente vai perder para um prato bem montado e finalizado no modo crocante da multicooker. Isso não prova que a air fryer ficou “obsoleta”; prova que técnica ainda pesa mais do que marketing.
A abordagem mais honesta é suave: aceite que você vai fazer algumas refeições meio murchas antes de entender qual modo realmente brilha para você.
“As pessoas ficam super defensivas com os próprios gadgets”, diz Léa, uma cozinheira que dá aulas online de air fryer. “Mas uma máquina não define ninguém. Se uma nove em um te ajuda a alimentar a família sem estresse, ela ganha. Se uma air fryer pequena, numa bancada lotada, faz você cozinhar em vez de pedir delivery, ela ganha. O verdadeiro rival é o seu cansaço, não outro eletrodoméstico.”
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- Keep one comfort gadget
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What this fight over a cooker says about our kitchens
Esse drama estranho entre uma panela de nove funções e a humilde air fryer não é só sobre batata crocante. Ele encosta em como a gente equilibra tempo, dinheiro, espaço e energia todos os dias. Tem quem queira a promessa de uma máquina inteligente que resolve tudo. Tem quem prefira uma ferramenta única, confiável, que pede pouco e entrega o suficiente. As duas reações fazem sentido.
Por baixo das reviews e dos comentários raivosos, existe uma pergunta silenciosa: quanta complexidade a gente aceita trazer para as noites, em nome de uma comida “melhor”? Para um pai ou mãe correndo entre lição de casa e hora de dormir, a resposta pode ser bem diferente da de um jovem obcecado por comida num studio.
Se tem um efeito, é que essa nova multicooker está obrigando a gente a encarar a vida como ela é. Queremos mais um botão para apertar, ou um jeito novo de cozinhar? Queremos substituir, ou só acumular?
Da próxima vez que você vir uma nove em um no feed, talvez não esteja só julgando a máquina. Talvez esteja, em silêncio, escolhendo qual versão do seu dia a dia você topa viver.
| Key point | Detail | Value for the reader |
|---|---|---|
| Clarify your real needs | List what you actually cook in a normal week before buying a new cooker | Avoid paying for nine functions you’ll barely touch |
| Test by “hero recipes” | Link each mode you care about to one simple, repeatable dish | Build confidence and routine faster, with fewer failed experiments |
| Factor in space and clean-up | Consider counter size, storage, and how many parts need washing | Choose a device that fits your daily rhythm, not just marketing claims |
FAQ:
- Question 1Is the new nine-in-one cooker really better than a standard air fryer?
- Question 2Does food actually taste different from a multitasking cooker?
- Question 3Can a nine-function cooker replace my slow cooker, rice cooker, and air fryer?
- Question 4Is it safe for beginners to use the pressure-cooking modes?
- Question 5What should I look at first: price, functions, or capacity?
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