A baleia-franca-do-atlântico-norte, espécie em perigo crítico de extinção, parece estar finalmente a caminho de dias melhores.
Depois de passar mais de um século à beira do desaparecimento, esse enorme mamífero marinho (Eubalaena glacialis) começa a dar sinais de uma recuperação lenta, porém real.
Sinais recentes de recuperação da baleia-franca-do-atlântico-norte
Pesquisadores do Consórcio da Baleia-Franca-do-Atlântico-Norte informaram que, em 2024, a população cresceu pouco mais de 2% em relação a 2023.
Isso significa 8 novos filhotes, elevando o total estimado de animais remanescentes para 384. É um aumento modesto, mas representa uma mudança animadora. Desde 2020, a população de baleias-francas-do-atlântico-norte aumentou mais de 7%.
No entanto, o cenário era bem diferente na década anterior: nesse período, a população despencou cerca de 25%.
Otimismo com cautela entre pesquisadores
"É sempre uma sensação ótima quando podemos compartilhar notícias positivas sobre essa espécie em perigo crítico", afirma Heather Pettis, que lidera o programa de pesquisa sobre a baleia-franca no Aquário da Nova Inglaterra.
"O pequeno aumento na estimativa populacional, junto da ausência de mortes detectadas e de menos ferimentos detectados do que nos últimos anos, nos deixa cautelosamente otimistas quanto ao futuro das baleias-francas-do-atlântico-norte."
Ainda assim, não há espaço para acomodação. Pettis alerta que, do ponto de vista da conservação, ainda não é hora de aliviar o ritmo.
Até agora, neste ano, não houve mortes registradas de baleias-francas-do-atlântico-norte, mas muitos indivíduos estão feridos ou com a saúde debilitada, e as taxas de nascimento diminuíram.
A origem do nome e as ameaças atuais
Diz-se que a baleia-franca-do-atlântico-norte recebeu esse nome porque, historicamente, era considerada a baleia “certa” para humanos matarem. No início da década de 1890, a espécie foi caçada quase até a extinção.
Hoje, embora a população seja protegida, ela continua exposta a diversas ameaças. As baleias correm risco de morrer em colisões com embarcações e por emaranhamento em equipamentos de pesca.
Segundo a organização ambiental sem fins lucrativos Oceana, a cada ano, equipamentos de pesca emaranham cerca de um quarto da população de baleias-francas-do-atlântico-norte nos Estados Unidos e no Canadá. Aproximadamente 85% das baleias já ficaram emaranhadas ao menos uma vez.
"Detectar emaranhamentos é difícil, pois exige que duas coisas coincidam: pessoas observando e baleias presentes nesses horários e locais onde se está observando", explica Philip Hamilton, cientista sênior do Centro Anderson Cabot, do Aquário da Nova Inglaterra.
Medidas para reduzir mortes e ferimentos
Entre outras estratégias para diminuir a mortalidade, estão zonas temporárias sem pesca e a adoção de equipamentos de pesca sem cordas - mas esses programas dependem do apoio das comunidades.
"O caminho para a recuperação dessa população é longo", diz Pettis.
As baleias-francas-do-atlântico-norte precisam continuar nadando - e nós precisamos deixá-las fazê-lo.
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