Após uma sequência de anos com recordes seguidos, a Porsche acabou sendo afetada pela volatilidade que hoje marca o setor automotivo. Em 2025, a fabricante de Stuttgart teve uma retração de 10% nas entregas mundiais, somando 279 449 veículos.
Segundo Matthias Becker, integrante do Conselho Executivo responsável por vendas e marketing, essa queda se explica por dois fatores centrais: de um lado, a baixa disponibilidade dos modelos 718 e do Macan com motor a combustão na Europa; de outro, a perda de ritmo da demanda no mercado chinês. Mesmo assim, o executivo ressalta que os volumes “estão em linha com as expectativas” da Porsche.
No total de entregas globais de 2025, 34,4% dos Porsche vendidos eram eletrificados - alta de 7,4 pontos percentuais na comparação com o ano anterior. Dentro dessa parcela, 22,2% eram veículos 100% elétricos, enquanto 12,1% traziam sistemas híbridos plug-in.
Quedas em (quase) todos os mercados da Porsche
Os efeitos dos pontos citados por Becker apareceram na maior parte dos principais mercados onde a Porsche atua. A única exceção foi a América do Norte: as vendas ficaram estáveis em relação a 2024, com 86 229 unidades entregues.
Já nos mercados externos e emergentes, a marca teve a menor variação negativa, com recuo de apenas 1%, totalizando 54 974 unidades.
Na Europa (sem incluir a Alemanha), que é o segundo maior mercado da marca, as entregas de modelos novos da Porsche diminuíram cerca de 13%, chegando a 66 340 unidades. Na Alemanha, a queda foi ainda mais forte: 16%, para 29 968 automóveis. Em ambos os mercados, a empresa aponta como motivo principal a suspensão das vendas do 718 e do Macan com motor a combustão.
A pior retração, porém, ocorreu na China. Por lá, as entregas despencaram 26%, para 41 938 unidades. A Porsche relaciona esse resultado a um cenário difícil do mercado - especialmente no segmento de luxo - e à concorrência local intensa, em particular entre os elétricos.
Macan lidera as vendas da Porsche
Mesmo em um ambiente menos favorável, o Porsche Macan voltou a ser o carro mais vendido da marca. O modelo cresceu 2% e alcançou 84 328 unidades entregues. Mais da metade desse volume - 45 367 unidades - já é da nova geração, totalmente elétrica. O Porsche 911, considerado o modelo mais emblemático da empresa, também avançou levemente (+1%), com 51 583 unidades comercializadas.
Na direção oposta, todos os demais modelos registraram números menores: Panamera (-6%; 27 701 unidades), 718 Boxster e Cayman (-21%; 18 612 unidades), Taycan (-22%; 16 339 unidades) e Cayenne (-21%; 80 886 unidades).
A marca explicou a redução do Taycan pela desaceleração da procura por veículos elétricos. No caso do 718 Boxster e Cayman, o recuo está ligado ao encerramento de sua produção, concluído em outubro do ano passado.
“Em 2026, o nosso foco é alinhar a procura e a oferta com a estratégia de ‘valor acima de volume’, planeando os volumes de forma realista, tendo em conta o fim dos modelos 718 e Macan a combustão”, afirmou Becker.
Nova liderança e cortes em estudo
Desde 1º de janeiro, o comando da Porsche passou de Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen, para Michael Leiters, que agora assume a tarefa de recolocar a marca em melhor desempenho.
Entre as frentes consideradas prioritárias está um programa de redução de custos que está em negociação com o sindicato. Entre as ações analisadas, aparecem o fim de bônus e benefícios por tempo de casa, a diminuição do quadro de funcionários, a terceirização de parte das atividades, cortes nas contribuições para aposentadoria, menos estagiários, regras mais rígidas para trabalho remoto e a eliminação de pausas extras nas linhas de produção (fonte: Automotive News Europe).
De acordo com Ibrahim Aslan, presidente do sindicato dos trabalhadores, até um em cada quatro postos pode estar sob risco. A Porsche já havia informado planos para cortar até 1900 empregos até 2029 e para não renovar cerca de 2000 contratos de trabalhadores temporários na Alemanha.
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