O novo DS Nº4 tem nome de perfume, mas chega disposto a encarar de frente os alemães de sempre.
O DS Nº4 representa o passo mais recente do compacto premium francês e desembarca com a intenção de consolidar seu lugar diante dos concorrentes alemães. Esta terceira geração vem mais apurada e adota uma nova designação - “Nº4”, numa referência inevitável ao Chanel Nº5 - pensada para reforçar o lado mais exclusivo e sofisticado da marca. Em outras palavras: elegância obriga.
Visual mais limpo, com assinatura luminosa marcante
A renovação no estilo é contida, porém bem executada. Em vez de excesso de brilho, várias áreas cromadas deram lugar a acabamentos em preto brilhante, seguindo a lógica do “menos é mais”, que deixa as linhas mais puras e o conjunto mais elegante.
Na dianteira, o destaque fica para os faróis Matrix LED (nas versões topo Etoile) e para o traço de luz que percorre as extremidades do para-choque e converge no logotipo iluminado ao centro.
Atrás, a nova assinatura luminosa com “máscara preta” e escamas em alto-relevo gravadas a laser acentua o ar exclusivo, agora acompanhada da inscrição “DS Automobiles” - um elemento que passará a aparecer em todos os modelos da marca.
As medidas permanecem as mesmas - 4,40 m de comprimento, 1,87 m de largura e 1,47 m de altura - assim como a base EMP2. Ainda assim, a plataforma recebeu reforços com aços de melhor qualidade e mais pontos de solda, elevando a rigidez estrutural. Mesmo já denunciando a idade quando comparada à futura STLA Média, ela segue como um alicerce competente para um compacto que aposta em distinção e requinte como seus principais argumentos.
Híbrido leve e elétrico entram na gama do DS Nº4
Na linha de motores, o antigo PureTech 130 sai de cena e abre espaço para o novo Hybrid 145, com sistema híbrido leve que une o 1.2 Turbo de três cilindros a um motor elétrico integrado no câmbio automático de dupla embreagem. Por enquanto, é a configuração que faz mais sentido: o desempenho dá conta do recado e o consumo tende a ser interessante.
Mais à frente, chega o híbrido plug-in de 225 cv, agora com autonomia elétrica ampliada para 81 km, além do 100% elétrico E-Tense de 213 cv e 450 km de autonomia. Em 2026, a família ainda ganhará uma alternativa Diesel, fechando o leque de opções energéticas.
Mais qualidade do que quantidade no interior
Basta entrar no novo DS Nº4 para perceber a proposta: “mais qualidade do que quantidade”. A sensação é rápida, e vem do salto evidente na execução do acabamento, com materiais melhores e montagem mais cuidadosa.
Os revestimentos acarpetados nas bolsas das portas e no porta-luvas, o couro legítimo e o Alcantara aplicado na faixa central do painel (nas versões Etoile) ajudam a criar um ambiente refinado, sem apelar para excesso de enfeites.
A tela central de 10’’ segue a mesma filosofia. Ela compartilha a arquitetura com a do DS Nº8 e traz o sistema DS Iris, agora com capacidade de “conversação” assistida por IA via ChatGPT. Na prática, o conjunto fica mais rápido nas respostas e mais sofisticado, dentro do que se espera de um premium.
Entre os itens que merecem destaque, o head-up display aparece como um dos melhores da categoria - tanto em luminosidade quanto em definição - e vale a pena entrar na configuração. Também é bem-vinda a manutenção de botões físicos para o ar-condicionado, ainda que os pictogramas sejam pequenos e pouco imediatos de ler. Já a disposição invertida dos botões de travamento das portas e dos vidros é mais difícil de justificar: é uma escolha de design que coloca a originalidade acima da ergonomia.
Na frente, o console central baixo e aberto aumenta a percepção de espaço. O seletor do câmbio cede lugar a simples botões PRND e, ao lado, ficam o controle de volume do áudio e o seletor dos modos de condução. Mais abaixo, há um compartimento com tampa e um carregador de smartphone por indução, bem integrado e fácil de acessar.
No banco traseiro, o espaço é mais limitado. O DS Nº4 até oferece saídas de ventilação dedicadas, mas sem controle de temperatura ou intensidade - algo esperado num modelo com esse posicionamento. O espaço para as pernas é aceitável, porém a altura até o teto é restrita, principalmente nas versões com teto solar.
O túnel central baixo ajuda o passageiro do meio, mas o vidro traseiro estreito e as colunas largas prejudicam a visibilidade para trás. Felizmente, a câmera de estacionamento reduz o impacto dessa limitação.
Ao volante do DS Nº4 híbrido leve
O test-drive do DS Nº4 aconteceu no Porto, cidade escolhida pela marca para apresentar o Hybrid 145, versão que deve concentrar a maior parte das vendas em Portugal e na Europa.
A escolha é coerente: dentro da gama, é a motorização mais equilibrada e substitui com vantagem o antigo PureTech 130, já que agora há um sistema híbrido leve mais eficiente e mais suave na operação.
O conjunto traz o motor 1.2 turbo de três cilindros e 136 cv a gasolina, somado a um motor elétrico de 21 kW (29 cv) e 55 Nm, alimentado por uma bateria pequena de 0,49 kWh (úteis). A potência combinada de 145 cv trabalha com tração dianteira e câmbio automático de dupla embreagem e seis marchas. O resultado é uma entrega progressiva e boa resposta em baixas rotações, com o suporte elétrico reduzindo o atraso típico do turbo.
Em rodovia, o DS Nº4 se mostra firme e previsível. A suspensão, com eixo traseiro de torção, acerta bem o equilíbrio entre conforto e estabilidade, ainda que rivais com suspensão traseira independente (como o A3 ou o Série 1) consigam ir além. A bitola larga e a carroceria baixa passam segurança nas curvas, e os pneus 205/55 R19 ajudam a controlar bem o rolamento.
A direção entrega precisão e um nível de comunicação suficiente. Como o volante é de diâmetro pequeno, a sensação de agilidade aumenta, deixando a condução mais envolvente. O câmbio de dupla embreagem atua de forma rápida e suave, com possibilidade de trocas manuais pelas aletas atrás do volante. As mudanças são bem escalonadas, e o sistema segue os comandos do motorista sem hesitar.
Modos de condução
Os modos de condução - Eco, Normal e Sport - mexem principalmente na resposta do acelerador e no peso da direção. No Sport, o DS Nº4 fica mais disposto; já no Eco, a prioridade é conforto e eficiência. O ponto menos positivo está na sonoridade do três cilindros: quando exigido, o ruído aparece com clareza, contrastando com o bom isolamento acústico geral do habitáculo.
No uso urbano, o híbrido funciona muito bem. Em trânsito pesado, o motor a combustão chega a permanecer desligado por boa parte do tempo, permitindo rodar em modo elétrico por curtos períodos.
Em um trajeto misto, o consumo médio registrado foi de 7,9 l/100 km, acima dos 5,2 l/100 km homologados, mas ainda aceitável considerando o ritmo do teste e o tipo de percurso. Com uma condução mais tranquila - o que nem sempre aconteceu… - esse número certamente ficaria bem mais perto do divulgado.
DS Nº4 já pode ser encomendado
Já disponível para encomenda em Portugal, o DS Nº4 Hybrid 145 tem preços a partir de 37 550 euros, enquanto o 100% elétrico E-Tense parte de 46 850 euros. Com essa oferta, o compacto francês se posiciona entre os premium de entrada, entregando mais equipamentos de série e um design mais diferenciado.
O plano é direto: aumentar o apelo deste Nº4 para quem quer um compacto eficiente e com uma imagem menos comum do que a dos alemães tradicionais. O futuro híbrido plug-in de 225 cv deve fechar a gama no topo, e a chegada de uma versão Diesel em 2026 vai atender de forma mais objetiva quem prioriza longas distâncias e consumo baixo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário