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Renault Captur GPL: por que o GPL é uma excelente opção

Carro Renault Captur GPL laranja com teto preto exibido em salão de automóveis.

O Renault Captur comprova que o GPL é uma alternativa excelente - das melhores, principalmente para quem não tem onde recarregar um carro elétrico.


Lembro bem de quando eu estava preparando o teste do Renault Clio TCe 100 GPL, pouco mais de um ano atrás. O Guilherme passou por mim, viu o texto em que eu estava trabalhando e acabamos puxando assunto sobre o Clio - até porque ele já tinha dirigido o carro na apresentação internacional.

No meio do papo, o Guilherme soltou a seguinte frase sobre essa versão a gás de petróleo liquefeito (GPL): “A tecnologia certa, na altura certa”. A frase é certeira e resume tudo. E agora que chegou o Renault Captur reestilizado com exatamente o mesmo sistema, voltei a ela. Continua fazendo todo sentido.

Enquanto muita gente faz contas e mais contas para ver se dá para comprar um carro híbrido, ou então um 100% elétrico, as alternativas bicombustíveis (GPL) seguem meio fora do radar nessas comparações.

Acredite: vale a pena refazer as contas…

Infelizmente, até nas calculadoras de consumo/custo de vários fabricantes essa opção ainda costuma ficar de fora. Parece que todos estão na mesma direção, como se o futuro fosse obrigatoriamente 100% eletrificado. Na Renault - e também na Dacia - essa visão existe, mas sem abandonar soluções que continuam muito pertinentes, como o GPL.

Visual modernizado

A fórmula aplicada no Clio para atualizar boa parte dos elementos de estilo foi repetida no Renault Captur. Na dianteira, ele ganhou um desenho novo, bem diferente do anterior, com aparência mais atual e mais agressiva. Já atrás, a mudança ficou basicamente por conta de um retoque estético nos conjuntos de lanternas.

No restante, além das novas rodas de liga leve, o que muda de forma mais perceptível é o pacote de equipamentos, que varia conforme o acabamento e o conteúdo oferecido. A unidade das fotos é a Techno, a mais completa entre as duas versões disponíveis com esse sistema Eco-G.

Por dentro, as alterações são poucas - para não dizer quase inexistentes - em relação ao Renault Captur que já conhecíamos. Ainda assim, chamam atenção o painel de instrumentos totalmente digital, agora com apresentação mais moderna, e a central multimídia com tela tátil vertical de 10,4”. Nela, há diversos aplicativos integrados do Google e várias outras funções.

Nesse ponto, a Renault merece elogios. Vale experimentar esse infotainment: ele é tão fácil de usar que até quem não tem muita paciência com tecnologia e dispositivos tende a gostar. Os comandos de voz são naturais, e a integração com os aplicativos do Google ajuda a manter tudo familiar.

Os assistentes de condução também dão conta do recado (frenagem automática, assistência de permanência em faixa, alerta de ponto cego, etc.). E, além de funcionarem bem, são simples de desativar - algo importante quando a ideia é rodar sem tantos alertas.

A Renault ainda colocou um novo botão à esquerda da coluna de direção, no qual ficam salvas as configurações preferidas. Depois de ligar o carro, é só apertar uma vez, apertar de novo para confirmar e pronto. Sem avisos e bipes para tudo. Perfeito, não é?

Dinâmica refinada

Com a atualização do Renault Captur, a suspensão parece ter recebido uma calibração nova, um pouco mais macia. Em asfalto bom, o conforto melhora, e em curvas o Captur também não perde a compostura com facilidade.

A ressalva aparece quando o piso piora. A suspensão não entrega a mesma firmeza e “amortecimento” de modelos mais recentes da marca francesa. O conforto segue presente, mas chega à cabine um pouco mais de ruído e vibração do que em alguns rivais.

Sobre o motor, o 1,0 a gasolina, de três cilindros em linha e 101 cv - com injeção direta e turbo com intercooler - entrega praticamente o mesmo desempenho, seja rodando no gás ou na gasolina.

Com o câmbio manual de seis marchas, a velocidade máxima declarada fica na casa de 173 km/h, e o 0 a 100 km/h acontece em 13 segundos. No uso real, dá para sentir que o Renault Captur GPL tem fôlego suficiente para quase tudo. A não ser quando o carro está bem carregado… aí, vale pensar duas vezes antes de uma ultrapassagem.

Diferença? Qual diferença?

Se no passado dava para notar diferença entre dirigir a gasolina e a GPL, hoje isso mal aparece. O botão para alternar entre os dois modos fica à esquerda da coluna de direção - e é literalmente só isso: um botão.

Ao apertá-lo, a troca não é instantânea; é preciso esperar dois ou três segundos. Depois disso, a única mudança perceptível é no painel: o marcador passa a indicar o tanque correspondente e fica aceso um pequeno quadrado com a sigla LPG (GPL em inglês).

Com os dois tanques cheios - 49 litros de gasolina e 32 litros de GPL - a Renault divulga autonomia máxima de até 1300 km para o Captur GPL. No carro testado, antes mesmo de começar este teste, o computador de bordo mostrava 570 km de autonomia na gasolina e 420 km no GPL.

E aqui está um ponto que não dá para esquecer: esses valores não são para gerar uma média “combinada”, nada disso. Eles se somam de verdade, ou seja, 990 km neste exemplo. Esse é um dos grandes trunfos do GPL quando se tem dois reservatórios.

O outro, como você já deve imaginar, é o preço do GPL, bem mais baixo do que o da gasolina. Enquanto escrevo este teste, o valor médio em território nacional ainda está abaixo da marca de um euro por litro, praticamente metade do preço da gasolina.

Contas de cabeça (bem, quase…)

Vamos a cálculos rápidos com os preços atuais. Encher o tanque de gasolina (1,738 €/l) sai por 85,16 euros. Completar o tanque de GPL (0,982 €/l) custa 31,42 euros. Se você usar quase sempre o modo GPL e deixar o “lado” da gasolina como reserva, com o tempo a economia tende a ser grande.

Ainda assim, vale destacar que, no modo GPL, os 101 cv do motor TCe 1,0 ficam mais “gastões”. Usando gasolina, registrei média de 7,5 l/100 km - a marca declara 6,1-6,4 l/100 km, sem eu ter sido tão pesado no pé. Ou seja, na teoria, daria para rodar um máximo de 640 km.

Com o sistema de GPL ativado - que foi como rodei por mais tempo e também com uma condução menos tranquila -, a média registrada foi de 10,8 l/100 km.

Diante dos 7,6-8 l/100 km declarados, a diferença é grande. Por isso, resolvi aliviar o ritmo e acabei ficando só um litro acima do número da marca: 8,9 l/100 km.

De todo modo, mesmo com a minha média mais apressada, cada tanque de GPL (32 litros) dá para praticamente 300 km. Somando os dois combustíveis, o Renault Captur GPL passa de 930 km com cerca de 115 euros em combustível.

Falta ainda uma conta - talvez a mais importante. Num ritmo “normal”, o custo fica abaixo de 9 €/100 km. Fazendo o mesmo exercício com gasolina, o valor vai para 13,5 €/100 km.

A diferença é de quase cinco euros a cada 100 km. Não é exagero dizer que o GPL é o novo Diesel. Dá para rodar longas distâncias gastando menos.

E, se é verdade que abastecer um carro com GPL dá um pouco mais de trabalho do que abastecer com gasolina, ainda assim costuma ser mais simples do que recarregar um 100% elétrico em um posto público. Não exige cartões, nem aplicativos, e é muito mais rápido. É apenas uma constatação.

Boas notícias para a carteira

Além do gasto menor com combustível, o preço do carro também traz boas notícias. Em um mercado no qual quase tudo gira em torno de elétricos e híbridos - e com valores cada vez mais altos -, o Renault Captur GPL foge um pouco desse padrão.

A tecnologia Eco-G da Renault é usada há anos e é relativamente simples quando comparada a várias alternativas. Por isso, o Renault Captur das fotos, já com todos os opcionais, nem chega aos 30 mil euros.

A versão Techno parte de 26 300 euros, aos quais se somam 700 euros da pintura metalizada com teto preto e cerca de 2800 euros em opcionais. Depois, é só incluir as despesas administrativas e de transporte - provavelmente aí já passa da marca de 30 mil euros - e você leva um SUV compacto familiar com bons argumentos para manter os custos mensais sob controle.

Veredito

Especificações técnicas

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