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Suzuki e Vitara chega com ambição, mas enfrenta o segmento mais competitivo

SUV elétrico Suzuki EV Vitara verde com teto preto em ambiente interno iluminado.

O Suzuki e Vitara estreia com ambição, mas vai encarar o segmento mais disputado de todos - e aqui não existe espaço para erros.


A Suzuki era uma das poucas marcas que ainda não tinha um modelo 100% elétrico, mas isso mudou com a chegada do novo e Vitara. O nome é familiar e facilita enquadrar a nova aposta japonesa em um dos segmentos mais competitivos do mercado europeu: o dos B-SUV.

E concorrência é o que não falta, do Peugeot e-2008 ao Ford Puma, sem esquecer as novidades chinesas como o BYD Atto2 ou o Leapmotor B10. Por isso, a tarefa de ganhar espaço no mercado está longe de ser simples.

Para complicar, o preço de estreia em Portugal pode pesar: a partir de 36 197 euros. Dentro do segmento, ele aparece entre os mais caros, já que há rivais com valores iniciais abaixo de 30 mil euros. A diferença é relevante.

Fomos a Madri, na Espanha, para dirigir o Vitara elétrico pela primeira vez e, nas próximas linhas, mostramos o que ele oferece para tentar compensar essa desvantagem logo de cara.

Um Vitara (muito) diferente

Mesmo trazendo um nome conhecido e com histórico, o fato é que o Vitara elétrico tem pouco a ver com o Vitara a combustão que segue à venda. A mudança não é só visual: a base técnica também é outra. O ponto de partida é a plataforma HEARTECT-e, desenvolvida para atender exclusivamente modelos totalmente elétricos.

Por fora, o novo e Vitara aposta em um desenho mais parrudo, como se espera de um SUV, e introduz elementos inéditos na identidade da Suzuki - caso da assinatura luminosa full-LED, que a marca descreve como uma “matriz de 3 pontos”, presente tanto na dianteira quanto na traseira.

Interior conservador, mas robusto

Ao entrar na cabine, dá para notar uma evolução clara em acabamento e tecnologia em relação ao que costuma ser visto na Suzuki. Ainda assim, o conjunto continua com um ar mais conservador e menos moderno do que algumas alternativas do segmento, como o Peugeot e-2008, por exemplo.

O interior do novo Suzuki e Vitara é dominado por duas telas, ambas de 10″: uma voltada para o painel de instrumentos e a outra para o sistema multimídia. Se a primeira é relativamente fácil de operar, a segunda deixa a desejar, principalmente pela lentidão e pelo visual dos gráficos.

As respostas aos comandos demoram e várias funções ficam escondidas em menus e submenus demais. Ajustar a intensidade da frenagem regenerativa, por exemplo, exige navegar bastante pelo sistema, quando poderia ser algo a um clique de distância ou resolvido com aletas atrás do volante.

As boas notícias aparecem no ar-condicionado: ele pode ser controlado por botões físicos, posicionados abaixo da tela central.

A maior parte dos revestimentos é de plástico, em geral rígido - algo dentro do padrão da categoria. Ainda assim, neste primeiro contato, a montagem pareceu firme. Por outro lado, em pisos mais irregulares, como paralelepípedos, surgiram alguns ruídos.

Espaço para pessoas e bagagens podia ser melhor

O novo Suzuki e Vitara cresceu em relação ao “irmão” a combustão em todas as medidas, mas isso não se traduz em uma cabine mais espaçosa. No banco traseiro, por exemplo, sobra espaço para pés e pernas, porém quem tem mais de 1,80 m acaba encostando a cabeça no teto.

Equilibrado na estrada

Na estrada, o Suzuki e Vitara se mostrou, acima de tudo, equilibrado. Sem brilhar em um ponto específico, ele entrega o que se espera de um SUV elétrico deste segmento, sendo competente nas tarefas a que se propõe.

Se há um aspecto que merece destaque, é o conforto. O B-SUV pode usar rodas de 18″ ou 19″ e, mesmo levando em conta os mais de 1750 kg, o e Vitara roda de forma confortável até em pisos mais castigados. Um dos motivos é a suspensão traseira independente, solução pouco comum na categoria.

Outra escolha rara no segmento - mas tradicional na Suzuki - é oferecer tração integral, que aqui também corresponde à configuração mais potente: 135 kW (184 cv) e 307 Nm de torque. Essa variante é oferecida apenas com a bateria de maior capacidade, de 61 kWh - existe outra de 49 kWh, ambas LFP -, mas não foi essa que dirigimos.

Neste primeiro contato, a versão testada foi uma das duas com tração dianteira - 128 kW (174 cv) e 193 Nm -, neste caso com a mesma bateria de 61 kWh que anuncia a maior autonomia da linha: até 426 km no ciclo WLTP.

No papel, os números de potência não chamam tanta atenção, mas na prática se mostraram suficientes. Já os 193 Nm de torque são bem modestos considerando o peso do e Vitara, e isso aparece na resposta em rodovias e vias expressas, quando acabamos exigindo mais curso do acelerador.

No uso urbano, por outro lado, esses valores dão conta do recado com folga. Dirigir é fácil e os três níveis de regeneração permitem usar pouco o pedal do freio, embora ele ainda seja necessário para parar o carro completamente.

Sobre consumo, ainda haverá oportunidade de avaliar em um teste mais longo em Portugal. O trajeto deste primeiro contato em Madri e arredores foi curto demais para conclusões.

O “elefante na sala” é o preço

O Suzuki e Vitara chega ao mercado português em maio com dois níveis de equipamento (S2 e S3), duas baterias (49 kWh e 61 kWh) e três níveis de potência - 106 kW (144 cv), 128 kW (174 cv) e 130 kW (184 cv) -, sendo que a opção mais potente é oferecida exclusivamente com tração integral. A autonomia varia entre até 344 km e até 426 km, dependendo da bateria e da versão.

O maior entrave do Suzuki e Vitara, como mencionei no começo, é o preço: a partir de 36 197 euros. A versão que dirigi, com maior autonomia, começa em 40 771 euros no nível S2.

Está longe de ser um valor competitivo e, mesmo com campanhas da marca japonesa, seguem existindo concorrentes com preços mais atraentes - e com mais potência e autonomia -, como o BYD Atto2, por exemplo.

O SUV da Suzuki se defende principalmente por oferecer uma lista de equipamentos de série bem “recheada” em comparação com muitos rivais, mas pode não bastar. Conheça a gama completa:


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