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NASA divulga novas imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS, incluindo as mais próximas até agora

Homem em laboratório observando telas com imagens de planetas e modelos espaciais.

Depois de adiantar que faria um anúncio importante, a NASA divulgou uma nova série de imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS - entre elas, as observações mais próximas obtidas até agora.

Desde observatórios voltados ao estudo do Sol até naves a caminho do cinturão de asteroides, várias missões com apoio da NASA conseguiram registrar esse visitante enquanto ele atravessa o Sistema Solar.

Observações mais próximas do 3I/ATLAS a partir de Marte

As imagens mais próximas, porém, vieram de Marte, que esteve a uma distância mínima do 3I/ATLAS em termos cósmicos. Em especial, o Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), que atualmente faz o mapeamento e a observação do Planeta Vermelho a partir da órbita, foi o responsável pelos registros mais apertados.

"O cometa 3I/ATLAS tem … chegado ao seu ponto mais próximo do Sol quando a Terra estava do lado errado para conseguirmos observar com facilidade", disse o cientista planetário da NASA Tom Statler durante o evento.

"Mas Marte estava do lado certo do Sol, e nossos recursos em Marte conseguiram observar o cometa. E também várias de nossas outras espaçonaves estavam do lado certo do Sol. Então a comunidade científica está realmente empolgada com o cometa e com essas novas observações."

Cientistas e público vêm acompanhando o cometa com grande interesse desde que o telescópio de varredura ATLAS o detectou pela primeira vez em 1º de julho de 2025.

A combinação de características do objeto o torna diferente de qualquer outro cometa já visto, mas sua trajetória pelo Sistema Solar o colocou do lado oposto do Sol em relação à Terra durante o periélio, em 29 de outubro - justamente a fase crucial em que a atividade de um cometa costuma atingir o pico, à medida que seus gelos sublimam e se transformam em vapor expelido.

Missões da NASA e observatórios solares que registraram o cometa

Felizmente, a exploração do Sistema Solar já alcançou um nível em que diversas missões conseguem, por um momento, desviar parte do tempo de suas atividades principais para observar um alvo inesperado. E foi isso que ocorreu quando o 3I/ATLAS passou. As imagens mais impressionantes vieram de Marte porque, como destacou Nikki Fox, administradora associada do Science Mission Directorate, "o cometa estava bem dentro da órbita de Marte".

Ainda não há imagens do periélio, mas mesmo enquanto o governo dos EUA estava paralisado, missões da NASA continuaram coletando observações - e agora a agência pode finalmente publicá-las.

Além do MRO, que registrou o cometa em comprimentos de onda ópticos, o orbitador MAVEN, da NASA, observou o 3I/ATLAS no ultravioleta. Isso revelou detalhes diferentes sobre o hidrogénio na atmosfera e na cauda do 3I/ATLAS. Já o rover Perseverance estava numa posição ideal para acompanhar o cometa diretamente da superfície marciana.

A partir de suas posições em órbita solar, os observatórios solares da NASA PUNCH e STEREO, bem como a missão conjunta NASA-ESA SOHO, também captaram imagens. E as missões LUCY e Psyche - voltadas ao estudo de alvos de interesse no cinturão de asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter - também conseguiram obter registros.

As imagens, em geral, têm um aspecto um pouco desfocado, mas ainda assim devem entregar informações essenciais para que se aprenda o máximo possível sobre esse cometa incomum. E, sim, ele é um cometa - apesar dos esforços de quem insiste em sugerir alguma malevolência alienígena.

Rumores, identidade cometária e evidências observacionais

"Eu gostaria de abordar os rumores", afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da NASA.

"Acho importante que a gente fale sobre isso. Este objeto é um cometa. Ele tem aparência e comportamento de cometa e todas as evidências indicam que é um cometa. Mas este veio de fora do Sistema Solar, o que o torna fascinante, empolgante e cientificamente muito importante."

Essa identidade cometária ganhou reforço com uma foto recente feita pelo astrofotógrafo Satoru Murata, do Novo México, em 16 de novembro, que compartilhou a imagem no Facebook. O registro mostra caudas longas, marcantes e bem definidas, além de uma coma levemente esverdeada - características compatíveis com uma origem natural.

Ainda não acabou para o 3I/ATLAS. Sua maior aproximação da Terra ocorrerá em 19 de dezembro. Ele continuará a uma certa distância, mas essa deve ser a melhor oportunidade para registrá-lo com telescópios e câmaras aqui mesmo, a partir do nosso planeta.

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