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Projeto HOBI-WAN da ESA aposta em Solein feita de urina para alimentar astronautas

Astronauta com traje espacial realiza experimento químico dentro de módulo com janela mostrando paisagem marciana.

Alimentar astronautas em futuros voos de longa distância continua sendo um desafio enorme. E um novo projeto da Agência Espacial Europeia (ESA), que aproveita em parte a urina, surge como uma promessa real.

Por que o programa Artemis torna a comida um problema crítico

Com o programa Artemis, a NASA quer estabelecer uma base permanente na Lua antes de mirar Marte. Essas expedições serão bem mais longas e, principalmente, muito mais difíceis de abastecer. Para chegar ao planeta vermelho, por exemplo, a viagem de ida leva quase seis meses. Some a volta e as margens de segurança, e o resultado é uma tripulação que teria de levar centenas de quilos de alimento por pessoa, sem qualquer chance de reabastecimento no caminho. Isso é tecnicamente inviável e financeiramente absurdo.

Há anos as agências espaciais estudam alternativas, e a Estação Espacial Internacional (ISS) virou um laboratório perfeito para colocar ideias à prova. A Interstellar Lab, por exemplo, concebeu um ecossistema em miniatura capaz de permitir o cultivo de plantas, fungos e até insetos para complementar a ingestão de vitaminas. Ainda assim, a nova iniciativa da ESA segue por uma rota completamente diferente.

Uma pó à base de urina reciclada

Em um comunicado, a ESA anunciou o lançamento do HOBI-WAN, um projeto apoiado pelo programa Terrae Novae e desenvolvido pela OHB System AG e pela Solar Foods. A meta é testar em microgravidade a produção de Solein, uma farinha proteica e nutritiva obtida a partir de microrganismos alimentados exclusivamente com hidrogénio, oxigénio, CO2 e ureia proveniente da urina dos astronautas.

Como o HOBI-WAN produz a Solein em microgravidade

A produção seria feita por um pequeno biorreator com uma cultura bacteriana. Dentro dele, cartuchos injetariam os gases de que os microrganismos precisam para crescer e gerar uma proteína rica em nutrientes. Para a ESA, essa abordagem pode virar um pilar da autonomia alimentar. “Este projeto tem como objetivo desenvolver um recurso-chave que nos permitirá melhorar a autonomia, a resiliência e o bem-estar dos nossos astronautas”, destacou Angelique Van Ombergen, cientista-chefe de exploração da agência espacial.

Se der certo, uma tripulação deixaria de ter de transportar montanhas de provisões: bastaria reciclar a água, o ar e a urina. Primeiro, o sistema passará por testes em solo. Depois, um módulo experimental será enviado à ISS, onde será possível verificar se os microrganismos se desenvolvem tão bem em órbita quanto na Terra.

Testes na ISS e os desafios de gases e líquidos no espaço

Isso não é garantido. “O comportamento de gases e líquidos em microgravidade é muito diferente, o que pode afetar drasticamente o transporte de nutrientes”, alertou Arttu Luukanen, vice-presidente de espaço e defesa da Solar Foods. O desafio é gigantesco, mas o que está em jogo é essencial. Se a solução funcionar, a ideia é incorporar esse sistema nas futuras missões lunares e marcianas.


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