Pular para o conteúdo

Ras Laffan no Qatar: ataques ao maior site de GNL elevam petróleo e gás

Homem segurando celular e bomba na mão ao abastecer carro em posto de gasolina ao ar livre.

O complexo de gás de Ras Laffan, no Qatar - o maior polo de GNL (gás natural liquefeito) do mundo - voltou a ser alvo de ataques. Petróleo e gás dispararam, e as bolsas asiáticas abriram em forte queda. O risco de uma escalada no Oriente Médio ganha contornos mais concretos, com efeitos que podem chegar rapidamente ao preço nos postos.

A combinação de bombardeios israelenses e americanos contra grandes infraestruturas de gás no Qatar e no Irã empurrou o Brent para cima em mais de 5%, acima de US$ 113 por barril. Na Europa, o gás saltou 35%. Donald Trump elevou o tom e ameaçou ampliar os ataques. Nos mercados, a Ásia afunda e o ouro renova máximas. Esse é o retrato desta manhã, enquanto a guerra no Oriente Médio continua.

Ras Laffan (Qatar) e South Pars entram na mira

O conflito acaba de ultrapassar mais um degrau. Na madrugada de quarta para quinta, uma nova onda de mísseis teve como alvo o complexo de Ras Laffan, no Qatar, que é nada menos do que o principal centro de exportação de GNL do planeta. A estatal Qatar Energy informou haver “danos consideráveis” no local.

Ao mesmo tempo, Israel atacou o campo de gás de South Pars, na porção iraniana do Golfo Pérsico, em plena área offshore. A outra parte do mesmo campo - compartilhado com o Qatar - é explorada por Doha. A partir de agora, infraestruturas energéticas críticas na região passam a ser tratadas, de forma assumida, como alvos militares.

Petróleo acima de US$ 113 e gás europeu com alta de 35%

A reação nas commodities foi imediata. O Brent, referência global do petróleo, avançou mais de 5% nas negociações asiáticas até bater US$ 113,33 por barril, o maior nível desde 9 de março. Nos Estados Unidos, o WTI (West Texas Intermediate) subia 1,06%, para US$ 97,34.

O movimento mais agressivo, porém, veio do gás europeu. O contrato futuro do TTF holandês - referência para a Europa - saltou 24,15%, para € 67,85 por megawatt-hora. No momento em que este texto é escrito, a alta já chegou a 35%! O temor, agora, é de uma possível paralisia do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e de GNL.

Bolsas asiáticas, ouro e dólar: a busca por proteção

Como era de se esperar, os mercados financeiros da Ásia mergulharam. Em Tóquio, o Nikkei caiu 4,38%, para 33 372,55 pontos. O Topix recuou 2,91%. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 2,73%, enquanto em Sydney a queda foi de 1,65%. Em Hong Kong, o Hang Seng cedia 1,25% no começo do pregão.

O ouro - ativo tradicional de proteção - registrou um novo recorde, em US$ 4 778 a onça. O dólar ganhou força, enquanto investidores correram para os títulos do Tesouro americano e para o metal precioso como forma de defesa. Já a moeda japonesa ficou praticamente estável, em torno de 199,71 ienes por dólar, após o Banco do Japão manter os juros inalterados.

Mais do que oscilações em bolsa, o que está em jogo é a segurança energética global. O foco dos ataques em instalações de gás na região do Golfo, somado à ameaça sobre o Estreito de Ormuz, eleva de maneira relevante o risco de interrupções no abastecimento de petróleo e gás para Europa e Ásia.

Ao longo do dia, o mercado também acompanhará de perto as decisões de juros do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra. Mas, enquanto o Golfo permanecer sob fogo, não há motivo para esperar que a volatilidade diminua.

O que muda, na prática, no preço nos postos na França

Na França, motoristas podem perceber rapidamente o impacto. A lógica é direta: quando o Brent sobe, os preços no atacado dos combustíveis acompanham com alguns dias de atraso e, em seguida, isso chega aos valores exibidos nos postos. Com o barril estabilizado acima de US$ 110, profissionais do setor não enxergam espaço para um litro de diesel abaixo de € 2. E os preços ainda podem subir mais. A gasolina sem chumbo 95, que já vinha em alta nas últimas semanas, tende a seguir o mesmo caminho.

E não são apenas os motoristas que entram na conta. O gás natural - que na Europa acabou de saltar 35% - também abastece aquecimento e geração de eletricidade. Se a tensão no Oriente Médio se prolongar, há o risco de as contas de energia das famílias francesas voltarem a subir, num cenário que lembra os momentos mais difíceis do inverno de 2022, após a invasão da Ucrânia.

Não dá, porém, para esperar um arrefecimento vindo de Donald Trump. O presidente americano reagiu à escalada ameaçando, de forma direta, mirar os campos de gás iranianos. Em sua rede Truth Social, declarou que, se o Irã não interrompesse seus ataques, ele decidiria atacar “com uma força e uma potência que o Irã nunca viu nem conheceu antes”.

Uma linha que nem todos os seus aliados acompanham, até porque o preço dessa guerra é enorme: de acordo com estimativas, o esforço militar chega a cerca de US$ 900 milhões por dia!


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário