Quando se fala em motor boxer - com cilindros opostos - a cabeça vai direto para Porsche e Subaru. Só que essa “exclusividade” está a mudar: a BYD decidiu entrar nesse território com um projeto próprio.
Em abril, a marca mostrou um novo 2,0 litros turbo de quatro cilindros opostos e, agora, surgem mais detalhes sobre por que escolheu esta arquitetura pouco comum para integrar sistemas híbridos plug-in. E, como verá adiante, a BYD tem bons argumentos para ter desenvolvido um motor de raiz, em vez de simplesmente recorrer aos seus conhecidos blocos de cilindros em linha.
E não vai demorar para o vermos em ação: este boxer de quatro cilindros vai estrear no Yangwang U7, o topo de gama atual da marca.
A BYD também publicou um vídeo (acima) a explicar o novo motor - infelizmente em chinês e sem legendas para português ou inglês -, onde apresenta as principais características e a lógica por trás da decisão de criar um novo motor boxer do zero.
Compacto e silencioso
O principal motivo desta escolha está na compacticidade, sobretudo na altura reduzida: são apenas 420 mm. Assim, o motor pode ser instalado por cima de outros componentes e, ao mesmo tempo, ajuda a baixar o centro de gravidade do carro.
A configuração boxer também traz vantagens importantes no tema das vibrações. Como os pistões se movem em sentidos opostos, grande parte das vibrações acaba por se anular.
Além disso, reduzir ruído e aumentar a suavidade de funcionamento foram prioridades do construtor: a BYD afirma que, ao ralenti, o som do motor fica apenas 1 dB acima do ruído dos motores elétricos. Para isso, recorre a soluções como lubrificação por cárter seco, tampas com estrutura em “sanduíche” para mitigar ruído e duas correntes de distribuição.
Este boxer de quatro cilindros tem 2,0 litros de cilindrada, turbo, entregando 275 cv e 380 Nm. Ainda assim, não foi concebido para ser o propulsor principal. Na maioria das situações, vai atuar como gerador de energia, sem ligação às rodas - embora a BYD diga que, em certos cenários, pode enviar binário diretamente ao eixo traseiro.
Desenhado para a plataforma e⁴, o motor boxer ficará montado no compartimento dianteiro do Yangwang U7, «encaixado» entre dois motores elétricos, um gerador e dois eletroímanes (parte do sistema da suspensão ativa DiSus-Z). Esta integração permite poupar espaço, reduzir peso e baixar a complexidade, funcionando como um “bloco técnico” unificado.
A BYD faz questão de dizer que esta solução não pretende copiar as abordagens clássicas de Porsche ou Subaru. Aqui, o motor térmico trabalha sobretudo como gerador, ajustando automaticamente a produção de energia conforme a carga da bateria. É uma lógica diferente da dos híbridos paralelos tradicionais: o motor a combustão não é o “protagonista”, mas sim uma peça otimizada para alimentar o sistema elétrico.
Com este novo bloco, a marca reforça a ideia de que os motores térmicos ainda podem ter espaço na era da eletrificação - desde que cumpram funções bem definidas e altamente eficientes.
Em que modelos veremos este Boxer?
Por enquanto, o boxer será exclusivo da gama Yangwang, mas nada impede que, no futuro, apareça noutras propostas plug-in da BYD.
O Yangwang U7, lançado no início de 2025 na China, será o primeiro modelo a receber este motor boxer de nova geração. Os preços no mercado chinês começam nos 628 000 yuan - cerca de 80 600 euros à taxa de câmbio atual -, enquanto a versão de quatro lugares, mais luxuosa, sobe para 708 000 yuan (aprox. 90 900 euros).
A berlina tem algumas particularidades, incomuns em híbridos plug-in, como o facto de o sistema ter um motor elétrico por roda, permitindo movimentos como o crab walk (deslocação lateral) e manobras quase no mesmo ponto, dando ao U7 capacidades dinâmicas fora do comum num híbrido plug-in.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário