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Por que taxas sobre refrigerantes não funcionam no drive-thru

Jovem dentro do carro segurando copo com refrigerante e saco de comida do Taco Bell no drive-thru.

Um novo estudo concluiu que os impostos sobre bebidas açucaradas não reduziram as calorias de bebidas nos pedidos feitos no atendimento pelo carro do Taco Bell em cinco jurisdições dos Estados Unidos.

Esse resultado limita uma das promessas centrais das taxas sobre refrigerantes ao mostrar como a medida pode perder força com facilidade quando está “embutida” em uma refeição de rede.

Dentro do atendimento pelo carro do Taco Bell e os impostos sobre bebidas açucaradas

A análise foi feita a partir de pedidos no atendimento pelo carro realizados antes e depois da entrada em vigor de impostos locais, comparando 120 unidades do Taco Bell cuidadosamente pareadas.

Com base nessas compras, Pasquale E. Rummo, Ph.D., da Escola de Medicina Grossman da NYU, registrou que não houve queda geral nas calorias de bebidas por transação.

Mesmo considerando seis anos e cinco jurisdições com tributação, os totais de calorias praticamente não se distanciaram dos observados em locais semelhantes sem imposto.

Com isso, o ambiente do restaurante se mostrou menos como uma vitória clara de política pública e mais como um cenário em que o efeito esperado simplesmente não apareceu.

Por que restaurantes podem reagir de forma diferente

O tema é relevante porque, segundo dados federais, cerca de um em cada três adultos nos Estados Unidos consome comida de rede em um dia típico.

Legisladores adotaram esses impostos porque bebidas açucaradas estão associadas a ganho de peso, obesidade e doenças cardíacas.

Só que, dentro de um combo, a bebida vem junto com tacos ou burritos, e um imposto de um centavo por onça pode passar quase despercebido.

Esse tipo de hábito ajuda a entender por que uma política capaz de mudar compras em lojas pode deixar, em grande parte, os pedidos em restaurantes praticamente intactos.

O que os números indicaram

Antes do início das taxas, as calorias de bebidas já eram diferentes entre restaurantes em áreas tributadas e os de comparação, o que tornou o pareamento cuidadoso ainda mais importante.

Nos casos de bebidas compradas separadamente, as calorias começavam um pouco mais altas nas áreas com imposto do que nas localidades usadas como comparação.

Já nos combos (refeições combinadas), as bebidas tinham, no total, muito mais calorias - e essa diferença permaneceu quase toda inalterada após a implementação das taxas.

Na análise principal, os padrões de calorias mal se moveram, sugerindo um comportamento que não respondeu de modo claro às mudanças de preço.

Oakland fugiu do padrão

Uma cidade destoou das demais - e foi Oakland, não Filadélfia nem Seattle.

Em Oakland, os clientes pediram uma quantidade visivelmente menor de calorias de bebidas junto com combos do que clientes semelhantes em locais sem imposto.

Quando a equipa restringiu o olhar apenas para pedidos que ainda incluíam uma bebida, o efeito de Oakland quase desapareceu.

Essa inversão indica que os consumidores pularam a bebida do combo com mais frequência, e não que tenham escolhido bebidas de menor caloria depois de decidir comprar uma.

Combos dificultam perceber a mudança

Quase três quartos dos combos nos dados vinham com uma bebida, o que torna o pacote difícil de “desmontar” para observar mudanças.

Se o cliente elimina a bebida, mas mantém a refeição, as calorias de bebidas caem - sem que isso prove que a bebida tributada ficou menos atrativa.

É o que parece ter acontecido em Oakland: menos bebidas de combo surgiram nos pedidos, mas as calorias das bebidas permaneceram estáveis quando ainda eram escolhidas.

Para quem define políticas públicas, essa distinção é importante, porque a mesma queda de calorias pode resultar de decisões do consumidor muito diferentes.

Preços baixos demais para fazer diferença

A maioria dos impostos sobre bebidas açucaradas nos Estados Unidos, nesse período, acrescentou apenas um a dois centavos por onça (28 gramas).

Nesse nível, muitos consumidores podem reagir muito pouco, sobretudo quando o valor da refeição completa pesa mais do que o preço da bebida.

Pedidos em restaurante tendem a ser especialmente “rígidos”, porque as pessoas muitas vezes chegam já pensando na refeição, e não num orçamento específico para a bebida.

“Esses resultados sugerem que impostos sobre bebidas açucaradas podem não ser eficazes para reduzir o consumo de calorias de bebidas em restaurantes de comida rápida, em comparação com supermercados”, disse Rummo.

O que os dados não captaram

Um ponto cego esteve dentro das lojas: bebidas de fonte (refil) servidas pelo próprio cliente impediram que as calorias consumidas no interior do restaurante entrassem no conjunto de dados.

A equipa conseguiu acompanhar bem os pedidos no atendimento pelo carro, mas não pôde estimar quanto refrigerante alguém se serviu no salão.

O Condado de Cook, região da área de Chicago onde se encontrava a maioria dos restaurantes tributados, representou 47 dos 60 locais, e o imposto ali terminou após quatro meses.

Essas lacunas não anulam o achado, mas limitam até onde ele pode ser extrapolado.

Como estudos anteriores chegam a resultados diferentes

Fora do contexto de restaurantes, a literatura de revisão é mais consistente: onde os impostos foram implementados, eles se associaram a 15% menos vendas.

A evidência em restaurantes tem sido mais escassa, e uma análise anterior em Filadélfia encontrou quedas sobretudo para bebidas de sumo tributadas.

Isso torna o novo artigo relevante não por encerrar o debate, e sim por testar várias localidades ao mesmo tempo.

O contraste sugere que menus, combos e rotinas de consumo em restaurantes podem “dobrar” os efeitos da política de formas que não ocorrem nos corredores do supermercado.

Política para além das bebidas

Duas cidades ainda deram sinais de que outra coisa mudou, mesmo quando as calorias de bebidas, por si só, se recusaram a cair.

Filadélfia apresentou menos calorias totais por pedido, e Oakland mostrou uma redução semelhante, sugerindo mudanças mais amplas no que as pessoas decidiram comer.

O debate público em torno dos impostos pode ter influenciado escolhas de maneira indireta, ou os consumidores podem ter migrado para refeições menores.

Rummo defendeu que, nos Estados Unidos, as taxas podem simplesmente ser pequenas demais para alterar o comportamento de clientes em redes de comida rápida.

Rumo dos impostos sobre bebidas açucaradas

A lição mais clara é que um imposto pode funcionar em supermercados e, ainda assim, falhar ao tentar atingir o alvo na janela do atendimento pelo carro.

Impostos maiores, mudanças mais fortes no menu ou regras que desvinculem bebidas dos combos podem importar mais do que pequenas sobretaxas isoladas.

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