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Nivea perde a liderança: Balea (dm) assume o topo no YouGov BrandIndex

Mulher sorridente pegando creme Nivea em prateleira de produtos de beleza em loja.

Em rankings recentes de satisfação do cliente, a Nivea deixou o topo. O detalhe que chama atenção: quem assume a dianteira não é uma grife de luxo, e sim a Balea, marca própria da rede de drogarias dm. À primeira vista parece só uma troca de posições, mas o movimento sinaliza uma mudança mais profunda no jeito de comprar - e mostra o quanto as marcas do varejo ganharam força.

Marca tradicional sob pressão: o que mudou no ranking

A nova líder em satisfação do cliente vem justamente da prateleira que por muito tempo foi tratada como “alternativa barata”. No YouGov BrandIndex, a Balea já alcança um Net-Score de 65,3 pontos, enquanto a Nivea aparece com 61,8 pontos.

"A Balea está claramente à frente da Nivea em satisfação do cliente - um verdadeiro marco no mercado de cuidados com a pele de massa."

O dado fica ainda mais significativo quando se olha para trás: em 2021, o cenário era o oposto. Naquele momento, a Nivea tinha 1,6 pontos de vantagem sobre a Balea. Em poucos anos, a relação se inverteu por completo. Para uma marca que há décadas representa confiabilidade, proximidade com a família e a ideia da “lata branca no armário”, isso é bem mais do que uma oscilação estatística.

Por que a nova número 1 tem tanta força como sinal

A Nivea segue entre as marcas mais conhecidas do país, mas o ritmo do jogo mudou. Em pesquisa de mercado, satisfação costuma ser um motor central de lealdade: quando a experiência é muito positiva, a pessoa troca menos de marca e tende a recomendar mais.

É exatamente nesse ponto que a Balea vem se destacando. Ela deixou de ser vista apenas como “barata, mas aceitável” e, com cada vez mais frequência, aparece como uma marca favorita de verdade. Muita gente escolhe Balea de forma deliberada - não por falta de dinheiro, e sim por convicção.

  • Imagem de marca: atual, próxima do dia a dia, portfólio que chama atenção
  • Percepção de preço: valor considerado justo, não “barato a qualquer custo”
  • Acesso: presente em todo o país nas lojas dm, com posição clara na gôndola
  • Amplitude de linha: de creme básico a itens de tendência, como séruns ou máscaras em tecido

Com isso, uma marca própria encosta em um território que por muito tempo foi dominado por fabricantes tradicionais: cuidados corporais e faciais para o grande público.

Custo-benefício: o principal trunfo no duelo Balea vs. Nivea

Um dos pilares da escalada da Balea é o custo-benefício. E é justamente aí que, no BrandIndex, as curvas se separam com mais clareza. Pelos dados, a Balea registra 42,7 pontos no momento, enquanto a Nivea fica em 31,1 pontos.

"Na percepção de custo-benefício, a Balea já está bem à frente da Nivea - e segue ampliando a distância."

Vale sublinhar: esse indicador não mede simplesmente “ser barato”. O que os entrevistados avaliam é se o retorno percebido combina com o preço. Ou seja, para muitas pessoas, Balea não é apenas mais em conta; parece um “negócio sensato” - um creme que entrega o que custa.

Num contexto em que alimentos, aluguel e energia ficam mais caros, muitos lares passam a olhar com mais rigor: onde o adicional de marca realmente compensa e onde a marca da drogaria dá conta? No caso de cremes para a pele, a resposta parece pender cada vez mais para a Balea.

Ainda forte: onde a Nivea continua na frente

Cair do topo não significa que a Nivea tenha virado um produto problemático. Pelo contrário: no quesito “qualidade percebida”, a Nivea segue bem acima da Balea. Para 2025, o BrandIndex aponta a Nivea com 55,0 pontos e a Balea com 42,5 pontos.

Muita gente ainda atribui maior capacidade técnica e qualidade à Nivea. A marca se beneficia de décadas de desenvolvimento, pesquisa em dermatologia e presença global. Ao mesmo tempo, fica claro: estar à frente em qualidade não garante, automaticamente, liderança em satisfação e custo-benefício.

Na lembrança de marca, a força da tradicional também é evidente:

Critério Nivea Balea
Conhecimento da marca 92,1 % 76,9 %
Intenção de compra entre quem conhece a marca 21,0 % 23,3 %

O número mais intrigante está na última linha: entre quem conhece as duas marcas, a Balea fica ligeiramente à frente na compra planejada. Isso indica o quanto a marca da drogaria consegue mobilizar seus fãs - mesmo com menor reconhecimento total.

Como funciona o YouGov BrandIndex - e o que ele mede

O BrandIndex não é um teste de laboratório como avaliações de instituições independentes de testes de produtos. A YouGov realiza, de forma contínua, pesquisas on-line com milhares de pessoas sobre a percepção de diferentes marcas. A partir dessas respostas, são construídas séries históricas ao longo do tempo.

Entre os itens medidos estão:

  • impressão geral
  • qualidade percebida
  • satisfação do cliente
  • disposição para recomendar
  • custo-benefício
  • imagem como empregadora

Para um ranking recente focado em custo-benefício, segundo o instituto, entraram na análise mais de 900.000 entrevistas. Ou seja, não se trata de um retrato do momento após uma crise viral, e sim de uma percepção consolidada no médio prazo.

Ainda assim, um ponto é crucial: os números refletem percepção subjetiva, não a qualidade objetiva do produto. Um creme pode ir muito bem em laboratório e, mesmo assim, perder na cabeça do público se o preço parecer alto ou se o visual da embalagem soar datado.

Onde a Nivea segue somando pontos - e onde estão as dificuldades

A Nivea não perde terreno em tudo. Em rankings de popularidade geral, a marca aparece, segundo o Handelsblatt, com cerca de 89 pontos, apenas um pouco atrás da Florena. Isso mostra que a simpatia básica continua elevada e que a marca segue presente no cotidiano - tanto nos intervalos de publicidade quanto no armário do banheiro.

O desafio está mais na velocidade: enquanto marcas mais baratas ou reposicionadas avançam com força, a Nivea tende a ficar mais estável. Inflação, aumento do custo de vida e um consumidor mais atento ao preço atingem com mais intensidade as marcas que carregam um prêmio de preço.

"A fraqueza real da Nivea não está na rejeição, e sim no fato de que outras marcas ganham simpatia mais rápido."

Além disso, há um movimento que o varejo observa há anos: marcas próprias deixaram de ser “genéricas” e passaram a construir identidade - com campanhas em redes sociais, edições limitadas e narrativas claras sobre sustentabilidade ou tolerância da pele.

O que o consumidor pode levar desse ranking para o dia a dia

Na frente da prateleira, a pergunta é simples: ainda vale pagar mais por uma marca tradicional, ou a marca da casa resolve? A resposta está cada vez mais individual - dependendo do tipo de pele, do orçamento e das preferências pessoais.

Uma abordagem prática é observar com mais atenção na próxima compra:

  • Comparar ingredientes: muitas marcas próprias se inspiram, nas fórmulas, em produtos consagrados.
  • Checar o preço por 100 ml: a comparação por unidade padrão mostra o tamanho real da diferença.
  • Fazer um teste na prática: comprar uma lata ou bisnaga da Balea e avaliar sensação na pele e tolerância.
  • Escolher um mix de marcas: para pele facial sensível, usar Nivea ou marcas dermatológicas; para loção corporal, optar por alternativas mais baratas - é assim que muitos lares economizam com intenção.

Quem faz questão de pesquisa de longo prazo, de certas notas de fragrância ou de um imaginário de marca familiar tende a continuar com a lata azul. Já quem prioriza orçamento e encara cosméticos com um pouco mais de abertura para testar novidades costuma cair em Balea e similares.

Marcas próprias em alta: o que isso significa para o mercado

O desempenho da Balea ilustra uma tendência maior no varejo: a fronteira entre “marca do fabricante” e “marca própria” está se apagando. Discounters e redes de drogaria investem pesado em design, desenvolvimento e marketing das linhas próprias. O que antes era “genérico” vira um rótulo com identidade e reconhecimento.

Para fabricantes como a Beiersdorf, dona da Nivea, isso implica que forças clássicas - como história e alta lembrança de marca - já não bastam sozinhas. Política de preços, velocidade de inovação e diferenciação nítida ganham peso. Caso contrário, até ícones correm o risco de perder relevância em pilares como satisfação e custo-benefício.

Para o consumidor, a mudança costuma ser positiva: mais competição tende a trazer preços mais competitivos e maior variedade. Quem dedica um pouco de tempo a comparar ingredientes e valores pode economizar de forma perceptível - sem necessariamente abrir mão do cuidado.


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