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Paquistão acaba com visto gratuito e cobra visto de US$ 60 de americanos

Agente em uniforme verificando passaporte e documentação de viajante em balcão de aeroporto.

Passaportes dos EUA vêm encontrando cada vez mais barreiras, à medida que um país-chave muda as regras de forma discreta.

Por anos, o Paquistão fez questão de se apresentar como um destino aberto a turistas e investidores. Só que, para viajantes americanos, a postura mudou de repente. A fase de chegar, mostrar o passaporte e entrar com um visto gratuito concedido na chegada ficou para trás - no lugar, surgiram taxas, formulários e prazos de espera que funcionam como um recado político.

Paquistão fecha a porta para vistos gratuitos para americanos

Durante bastante tempo, Islamabad tentou reduzir a fama de país “difícil de acessar”. Uma das medidas mais emblemáticas foi o programa de “visto gratuito na chegada” para visitantes de 125 nacionalidades, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.

O processo era simples: bastava um celular e o aplicativo Pak ID. O viajante escaneava o passaporte, preenchia poucas telas e saía com autorização de permanência por 90 dias - sem pagar nada.

O Paquistão encerrou o programa de visto gratuito na chegada para 125 nacionalidades e passou a exigir um visto pago e pré-aprovado, colocando os americanos na faixa de tarifa mais alta.

Esse período terminou em janeiro. Agora, o caminho via Pak ID está bloqueado para portadores de passaporte dos EUA, que são direcionados a um processo mais tradicional e burocrático de visto eletrônico. Em vez de uma chegada sem atritos, americanos precisam:

  • Preencher formulários online detalhados antes da viagem
  • Enviar documentos de apoio e o roteiro/planos de viagem
  • Pagar uma taxa de visto não reembolsável
  • Aguardar até sete dias por uma decisão

À primeira vista, pode parecer apenas um ajuste administrativo. Na prática, representa o Paquistão se afastando do tratamento anteriormente amistoso oferecido a visitantes americanos.

Conta mais alta para americanos, britânicos e canadenses

O Paquistão implementou um sistema de cobrança em duas faixas. A maioria das 125 nacionalidades afetadas passou a pagar US$ 35 por um visto de entrada única.

Para cidadãos dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido, o valor é bem diferente.

Americanos, assim como britânicos e canadenses, agora pagam US$ 60 por um visto de entrada única - quase o dobro da taxa padrão.

Além do preço, o visto deixou de ser, por padrão, de múltiplas entradas. Esse detalhe pesa para quem circula pela região. Antes, era possível sair rapidamente para a Índia ou a China e voltar ao Paquistão sem enfrentar novas exigências.

Agora, se um americano deixa o Paquistão no meio do roteiro - por exemplo, para reuniões em Pequim ou Nova Délhi - o visto perde a validade. Para entrar novamente, é necessário pagar outros US$ 60 e encarar um novo período de espera de cerca de uma semana.

De porta aberta a corredor estreito

Islamabad não explicou oficialmente por que cidadãos dos EUA, do Reino Unido e do Canadá foram colocados na faixa mais cara. Diplomatas e analistas apontam três motivações que se sobrepõem:

  • Reciprocidade: espelhar ou responder a restrições e tarifas mais altas aplicadas por países ocidentais
  • Alavancagem: usar a mobilidade como instrumento em negociações mais amplas
  • Sinalização: mostrar ao público interno que o Paquistão não aceitará regras impostas de forma unilateral

A mudança contrasta com agosto de 2024, quando o primeiro-ministro Shehbaz Sharif comemorou publicamente políticas de visto mais fáceis para atrair dinheiro estrangeiro e turistas. A direção atual indica que atritos políticos podem pesar mais do que ofensivas de charme econômico.

Guerras de visto: a reação ao “América em Primeiro Lugar”

A decisão do Paquistão não ocorre no vácuo. Ela faz parte de um movimento maior em que países passam a usar vistos como mecanismo de pressão, especialmente em relação a Washington.

Com a retomada do pensamento “América em Primeiro Lugar”, autoridades dos EUA endureceram regras de imigração e viagem para dezenas de países. Vistos de curta duração ficaram mais difíceis de obter, as taxas de aprovação caíram para muitas nacionalidades e entrevistas ou verificações adicionais passaram a ser mais comuns.

Washington suspendeu vistos de imigração - o caminho para a residência permanente nos EUA - para cidadãos de 75 países, incluindo o Paquistão, alimentando um sentimento crescente de ressentimento.

Quando pessoas desses países têm dificuldade para entrar nos Estados Unidos, seus governos ficam cada vez mais inclinados a responder na mesma moeda.

Uma lista crescente de países que reagem

O Paquistão não está sozinho. Alguns países africanos adotaram medidas mais duras, indo além de taxas mais altas e atrasos.

Chade, Níger, Burkina Faso e Mali já interromperam, em diferentes momentos, a emissão de vistos para cidadãos dos EUA. Na prática, isso significa que muitos americanos simplesmente não conseguem entrar, exceto por canais diplomáticos ou exceções muito específicas negociadas caso a caso.

Essas decisões podem não vir de grandes potências econômicas, mas têm força simbólica. Elas mostram que viajantes dos EUA já não podem presumir acesso automático a qualquer lugar apenas pelo passaporte americano.

Como as novas regras afetam viajantes e empresas americanas

Para turistas individuais, a medida do Paquistão adiciona custos e burocracia, mas não torna a visita inviável. O impacto mais profundo recai sobre quem viaja com frequência a trabalho, jornalismo, ajuda humanitária ou cooperação em segurança.

Aspecto Antes da mudança Agora para americanos
Custo do visto US$ 0 US$ 60
Forma de solicitação Aplicativo Pak ID, na chegada Visto eletrônico online, antes da viagem
Entradas permitidas Na prática, múltiplas, via aplicativo Apenas entrada única
Tempo de processamento Minutos no aeroporto Até sete dias

Para empresas que planeiam investimentos ou projetos em campo, regras de entrada imprevisíveis podem virar um grande problema. Viagens de última hora ficam mais difíceis. A rotação de equipas exige mais tempo de organização. E deslocamentos emergenciais - após enchentes, instabilidade política ou incidentes de segurança - tornam-se mais arriscados se não houver garantia de visto rápido.

Para o Paquistão, trata-se de uma troca calculada: aceitar algum atrito econômico para enviar uma mensagem política a Washington e seus aliados.

A geopolítica por trás de um carimbo de 60 dólares

No papel, a história é sobre uma taxa de US$ 60. Na realidade, ela sinaliza uma mudança na forma como países de porte médio avaliam suas opções num mundo multipolar.

A influência dos EUA já não é a única referência. O Paquistão, como muitos países da Ásia e da África, é cortejado pela China com empréstimos para infraestrutura e promessas de investimento, e observado de perto pela Rússia, que busca novos parceiros políticos e militares.

Se Washington continuar apertando suas fronteiras, governos de Islamabad a Niamey podem se sentir mais livres para se aproximar de Pequim ou Moscou, onde a ajuda financeira muitas vezes vem com menos condições ligadas a vistos ou direitos humanos.

A política de vistos vira um termômetro de alinhamento. Países que se sentem deixados de lado pelos EUA conseguem emitir um sinal de baixo custo e alta visibilidade ao mirar viajantes americanos. Isso afeta pessoas comuns, atrai atenção da mídia e raramente leva a uma crise aberta.

O que “reciprocidade” significa na prática

No jargão diplomático, “reciprocidade” parece algo neutro e técnico. Na vida real, ela define viagens e carreiras. Alguns cenários ajudam a entender como isso se materializa:

  • Intercâmbios académicos: se estudantes paquistaneses enfrentam negativas repetidas de visto para universidades dos EUA, Islamabad tende a ganhar mais apoio interno para endurecer regras para pesquisadores americanos ou professores visitantes.
  • Cooperação em segurança: programas conjuntos de treinamento, que dependem de deslocamento rápido, podem desacelerar se oficiais e especialistas precisarem esperar semanas por autorização.
  • Fluxos de turismo: blogueiros de viagem dos EUA ou operadores de turismo de aventura podem concluir que o Paquistão “dá trabalho demais”, desviando atenção e dinheiro para vizinhos vistos como mais fáceis de acessar.

Nenhum desses exemplos, por si só, muda a política externa. Juntos, porém, eles vão alterando hábitos, redes de contato e lealdades ao longo do tempo.

O que viajantes americanos podem esperar realisticamente a seguir

Para cidadãos dos EUA que planeiam viagens a países que se sentem pressionados pela política migratória americana, será preciso adotar uma nova mentalidade. A ideia de que um passaporte poderoso garante entrada fácil está perdendo força.

Passos práticos agora incluem:

  • Verificar regras de visto com meses de antecedência, não com dias
  • Reservar orçamento para taxas mais altas e não reembolsáveis
  • Prever tempo extra para atrasos ou recusas
  • Evitar roteiros que dependam de várias saídas e reentradas

No caso específico do Paquistão, a troca do sistema gratuito via aplicativo por um visto pago, de entrada única, com espera de até uma semana, deixa um recado direto: o acesso deixou de ser automático, e a política pode chegar até a fila da imigração.

À medida que mais países testam medidas semelhantes, viajantes americanos podem descobrir que o controle de fronteiras virou um instrumento discreto - e eficaz - na disputa global sobre quem circula com liberdade e quem paga mais por esse privilégio.

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