A Ford decidiu redirecionar sua estratégia nos EUA para elevar a rentabilidade e impulsionar as vendas, reduzindo de forma significativa a produção de veículos elétricos em favor de híbridos e modelos com motor a combustão. O novo plano, anunciado recentemente, tem custo estimado de cerca de 19,5 bilhões de dólares (aprox. 16,5 bilhões de euros ao câmbio atual).
A meta é que, até 2030, aproximadamente 50% do volume global da empresa seja formado por híbridos, elétricos com extensor de autonomia (EREV) e veículos totalmente elétricos - acima dos 17% atuais. Ainda assim, a montadora projeta alcançar a neutralidade total de carbono em 2050.
Essas mudanças ocorrem no mesmo período em que Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou uma revisão das restrições de emissões.
Estratégia da Ford nos EUA: Ford F-150 EREV e veículos acessíveis
Dentro dessa reorientação, a produção da picape F-150 Lightning será encerrada ao final deste ano, após quatro anos no mercado. Embora a versão a combustão tenha sido bem-sucedida, o modelo elétrico enfrentou uma trajetória mais difícil. No lugar, a Ford pretende lançar a próxima geração da Lightning com motorização EREV (elétrico com extensor de autonomia).
“A próxima geração da nossa Lightning será revolucionária. Manterá tudo o que os clientes já valorizam - potência 100% elétrica e aceleração em menos de cinco segundos -, mas acrescentará autonomia de 700 milhas (cerca de 1100 km) e capacidade de reboque excepcional, tornando-se uma ferramenta ainda mais versátil”, afirmou Doug Field, diretor de veículos elétricos, digital e design da Ford. A nova Lightning será fabricada no Rouge Electric Vehicle Center, em Dearborn, Michigan.
Até o fim da década, a Ford planeja lançar cinco novos veículos acessíveis nos EUA, sendo que quatro deles serão montados no próprio país. Além disso, a fabricante comunicou que, até 2030, todos os veículos da sua linha deverão oferecer ao menos uma alternativa híbrida ou multienergia.
A empresa também quer ampliar sua liderança em caminhões e vans: o campus da BlueOval City, no Tennessee, passará a produzir os novos caminhões Built Ford Tough a gasolina a partir de 2029. Já a unidade de Ohio será convertida em um polo da Ford Pro, fabricando a nova van comercial a gasolina e híbrida a partir de 2028.
Não fazia sentido continuar a investir milhares de milhões em produtos que sabíamos que não iriam gerar lucros.
Jim Farley, CEO da Ford, em entrevista à Bloomberg.
Sistemas de armazenamento de energia
A Ford também pretende criar um negócio de sistemas de armazenamento de energia em baterias voltado a data centers e à infraestrutura elétrica. A fábrica de Glendale, no Kentucky, será adaptada para produzir sistemas avançados de mais de 5 MWh, com investimento de 2 bilhões de dólares (aprox. 1,7 bilhões de euros) e capacidade de 20 GWh por ano até 2027.
Em paralelo, a BlueOval Battery Park Michigan vai fabricar células de bateria menores para armazenamento residencial, que também vão alimentar a futura picape elétrica de porte médio - o primeiro modelo da nova Plataforma Universal para Veículos Elétricos.
A estratégia europeia
Na Europa, a empresa também revisou seus planos. A nova van comercial elétrica não será mais produzida, embora a oferta atual seja mantida. A Ford ainda anunciou mudanças na liderança europeia e prepara uma ofensiva de produtos com veículos multienergia. A marca também fechou uma parceria estratégica com a Renault para desenvolver veículos elétricos acessíveis.
A expectativa é que as medidas comecem a reduzir os prejuízos da divisão de veículos elétricos já no próximo ano, tornando o negócio rentável a partir de 2029. Apenas em 2024, essa unidade registrou um prejuízo de 5 bilhões de dólares.
“Estas são decisões importantes que acreditamos que trarão benefícios nos próximos anos para os nossos clientes, para os nossos funcionários e para a indústria de produção”, afirmou Andrew Frick, presidente das divisões de gasolina e veículos elétricos da Ford.
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